Dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) apontam que, em 2023, 2.751 pessoas perderam a vida por acidentes vasculares cerebrais (AVCs) no Ceará. Entre janeiro e setembro, 1.049 pacientes precisaram ser internados por este motivo no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), que é um dos maiores centros de referência no tratamento desse tipo de problema em âmbito nacional.
No próximo dia 29 de outubro, será celebrado o “Dia Mundial do AVC”, uma data criada com o objetivo de alertar e orientar a sociedade sobre os riscos da doença.
Durante o ano de 2022, ocorreram mais de 4,4 mil óbitos nesse contexto em todo o território cearense. No ano anterior, o número de falecimentos relacionados à questão ultrapassou os 4,5 mil. “Trata-se de um problema que atinge milhões de pessoas do mundo. No Brasil, é a principal causa de morte e de incapacidade a longo prazo”, afirma o neurologista Fabrício Oliveira Lima, chefe da Unidade de AVC do HGF.
De acordo com o especialista, entre os principais sintomas da doença destacam-se fraqueza súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar e sentir, ou ainda, paralisia de um dos lados da face. “Algumas outras situações também podem acontecer como dor de cabeça súbita muito forte e aguda e o desequilíbrio ou tontura repentinos […] Todos esses sintomas podem estar associados ao AVC e, por isso, as pessoas devem procurar o atendimento médico o mais rápido possível”, indica neurologista.
O neurologista explica que o acidente vascular cerebral pode ocorrer por um conjunto de fatores de risco como pressão alta, diabetes, problemas cardíacos, hábito de fumar, sedentarismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e má alimentação.
“Se nós formos examinar todas as pessoas que sofrem de AVC, de uma forma conjunta, esses fatores correspondem por 90% dos casos. Claro que existem causas que são bem menos comuns, especialmente naquelas pessoas mais jovens. Porém, quem possui essas características deve procurar tratá-las para reduzir o risco de AVC”, aconselha neurologista.
Amanda Bezerra é residente multiprofissional da Escola de Saúde Pública do Estado (ESP-CE) e defende que a disseminação de informações com qualidade também pode ajudar a salvar vidas. “Em caso de pressão alta, sendo um sintoma de AVC, a recomendação é não medicar o paciente e sim já direcioná-lo à emergência. Mas, muitas vezes, as pessoas tentam normalizar a pressão com remédio, prejudicando o quadro”, exemplifica.
O Dr. Fabrício Lima orienta que, uma vez que os sintomas de AVC se façam presentes, deve-se buscar atendimento médico rapidamente.
“A cada minuto com AVC, milhões de neurônios são perdidos”, alerta. “É fundamental que as pessoas liguem para o SAMU no 192 para informar sobre a suspeita de AVC. Sendo a suspeita confirmada, esses pacientes vão ser trazidos para o HGF”, detalha, acrescentando que, fora da capital, também há unidades capacitadas para tratar o problema e diminuir as chances de sequelas nos pacientes, como o Hospital Regional Norte, o Hospital do Sertão Central e o Hospital Regional do Cariri.
Ações de conscientização
No Ceará, em parceria com o HGF, a ESP-CE está realizando o projeto “EducAVC – Educação em Saúde para a Comunidade”, que abrange diversas ações voltadas para a temática. No último sábado, 21, por exemplo, profissionais da Residência Multiprofissional de Neurologia e Neurocirurgia da escola se disponibilizaram para realizar atividades como aferir pressão e medir a glicose da população no Parque do Cocó.
Ao todo, o projeto foi dividido em três etapas, sendo a ação no Cocó a primeira. As restantes estão previstas para serem desenvolvidas ainda no mês de outubro. No segundo momento, outros profissionais, em especial os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), serão orientados sobre a melhor forma de lidar com o AVC crônico. Na terceira fase, a hospitalar, os trabalhadores da saúde que atuam em diferentes áreas da medicina poderão conhecer a realidade das emergências neurológicas através de um simpósio.
Fonte: https://oestadoce.com.br/

