Home Saúde Maio Furta-cor: Romper com o machismo estrutural favorece a saúde mental materna

Maio Furta-cor: Romper com o machismo estrutural favorece a saúde mental materna

5 min read
0
0
169

Neste mês dedicado às mães, a campanha “Maio Furta-cor” ganha destaque com o objetivo de dar atenção ao sofrimento das mulheres com a demanda exacerbada da maternidade. Para a psicóloga Luana Menezes, especialista em psiquiatria e psicanálise com crianças e adolescentes pela UFRJ, romper com o machismo estrutural já desde a infância pode trazer benefícios no dia a dia da maternidade, deixando esse período mais leve, e a mãe possui papel fundamental nesse quesito.

“Todos são atravessados pelo machismo que está na essência da sociedade. Nós como mulheres e mães precisamos nos questionar sobre como vemos homens e mulheres, buscando uma criação mais justa no que tange a igualdade de direitos entre ambos, passando uma educação mais igualitária no que diz respeito à independência, autonomia, liberdade de expressão, participação nas tarefas domésticas; incentivo a estudo e trabalho”, ressalta Luana.

Em seu livro infantil “Eu Só Quero Brincar”, a mãe exerce um papel fundamental como elo entre o filho e o pai. Ao longo do enredo, a mãe é quem promove uma reflexão na família sobre o machismo estrutural e auxilia na mudança de comportamento do pai em relação ao filho, fazendo ele compreender que está reproduzindo uma educação de seus antepassados, prejudicando a saúde mental dele e também de seu filho.

Luana também é coautora do livro “Disciplina e Afeto – Como criar filhos emocionalmente fortes e preparados para o mundo”. Em seu capítulo: “A importância do estímulo à expressão dos afetos para a saúde mental” ela aborda a necessidade dos pais estimularem as crianças a expressarem seus afetos para que desenvolvam a sua identidade de forma plena.

“Mães também precisam desconstruir estereótipos criados sobre o que é de menina e o que é de menino, incentivando igualmente a participação dos meninos nas tarefas do lar e do cuidado com o outro; estimulando a menina a ter o seu carro e ser uma profissional, futuramente, dando valor ao estudo; ensinando a ambos que eles devem ter responsabilidade emocional com quem esteja se envolvendo amorosamente; ensinando que ambos possuem sentimentos e podem chorar, entre outros diversos exemplos encontrados no cotidiano”, explica a psicóloga e escritora.

Para ela ensinar sobre igualdade de gênero desde a infância representa uma evolução social e, principalmente, melhorias no cotidiano das mulheres e das mães, tirando delas o peso de serem responsáveis pelas principais tarefas nos lares e com os filhos. Segundo Luana, o acúmulo de cobranças e a culpa são os fatores mais comuns de adoecimento, que interferem na saúde mental.

“É importante dar luz a está temática no mês das mães para que todas, além de dividirem espaço com homens no mercado de trabalho, tenham esse espaço dividido igualmente com os cuidados da casa e dos filhos no lar, bem como serem respeitadas e valorizadas pelos homens, proporcionando, assim, maior qualidade de vida, melhor saúde mental e melhor relação entre o casal”, conclui Luana Menezes.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde

Deixe um comentário

Verifique também

4º Prêmio Mulheres Extraordinárias celebra trajetórias inspiradoras no próximo dia 15 de março

A Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Ceará (ADPEC) realiza, no p…