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Inadimplência de pessoas físicas deve chegar a 4,43%, prevê pesquisa

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A taxa de inadimplência total de pessoas físicas no Brasil deve subir de 4,35% para 4,43% até outubro, é o que prevê pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a Fia Business School. Entendendo como inadimplentes as pessoas com pagamentos atrasados em mais de 90 dias, a pesquisa estima que o aumento nas dívidas se relacione diretamente a compras no varejo.

Também há expectativa de alta na inadimplência com recursos livres, categoria que não considera operações com taxas regulamentadas e recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): a elevação seria de 6,50% (agosto) a 6,58% (outubro).

No tocante aos efeitos de uma população endividada para a economia, o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado do Ceará (Sescap-CE), Carlos Átila, explica que eles costumam vir em cadeia, impactando a curto e médio prazo, a começar pela queda do consumo. “As famílias endividadas costumam cortar gastos para conseguirem equilibrar o orçamento, e isso afeta diretamente o comércio de bens e serviços, até, em última instância, impactar o PIB”.

Os setores que primeiro sofrem com o baixo poder de compra são o comércio durável (eletros e móveis), o setor automotivo, o varejo de itens não essenciais (roupas e outros artigos supérfluos), serviços em lazer e entretenimento, e, encerrando a lista, bancos e financeiras.

A alta em dívidas produz uma elevação do custo do crédito, visto que o maior risco de calote leva os bancos a aumentarem juros ou restringirem a concessão de crédito, dificultando o acesso a financiamentos e parcelamentos. Além disso, o menor consumo e a desaceleração econômica diminuem a arrecadação de impostos, que possibilita ao governo manter a execução de programas sociais.

A longo prazo, a combinação de menos crédito, menos consumo e menor investimento tende a frear a economia. O cenário de inadimplência se prolongando, o impacto chega aos setores industriais que abastecem o varejo e às empresas de serviços “business to business”, que dependem do dinamismo do consumo interno. Num nível mais crítico, o desemprego é agravado e assim se instala um ciclo negativo.

No Ceará, o endividamento também é uma constante. De acordo com o Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas (SPC Brasil e Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas – FCDL), o número de consumidores negativados no estado cresceu 9,9% na comparação entre junho de 2024 e o mesmo mês de 2025, taxa maior do que a média nacional (7,7%).

“Os dados preocupam, pois é grande o número de famílias com dificuldades financeiras recorrentes e dívida bancária alta. Mesmo que uma parte das pessoas tenha débitos de menor valor, e estes sejam mais fáceis de renegociar, há outra parcela significativa com dívidas de valores mais expressivos”, comenta Átila.

 

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