O Brasil perdeu 1,6% do PIB em 2022, cerca de US$ 30 bilhões, ou R$ 168 bilhões, por causa da enxaqueca. Segundo a pesquisa “Impacto socioeconômico das principais doenças em oito países da América Latina”, feita pelo instituto de pesquisa alemão WifOR GmbH, entre os oito principais PIBs latinos-americanos, o Brasil é o segundo mais afetado pela doença, atrás da Argentina. O estudo usou dados do Global Burden of Disease Study (GBD), uma pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Segundo a OMS, a dor de cabeça, categoria em que entra a enxaqueca, é a terceira causa anos de vida ajustados à deficiência (DALYs), em inglês disability-adjusted life years, um índice que quantifica o fardo das doenças em uma população combinando anos de vida perdidos por morte prematura e anos vividos com uma deficiência. Infarto e demência ocupam as primeiras posições da lista.
No caso da enxaqueca, pesquisas sugerem que o presenteísmo, ou seja, o funcionário comparecer ao trabalho sem condições de realizá-lo, causa mais declínio de produtividade do que o absenteísmo, ou seja, a falta. A enxaqueca pode ser debilitante. Além da dor de cabeça intensa, a doença causa outros sintomas neurológicos.
É comum em pessoas com enxaqueca a presença da aura, que são episódios de alteração visual e sensorial, como o vivido por Michele. Segundo Rezende, costumam vir antes de uma crise de dor e duram cerca de uma hora.
“Durante uma aura visual, por exemplo, a pessoa com enxaqueca perde parte do campo de visão e enxerga só uma parte dos objetos”, diz. “Ao mesmo tempo, percebe brilhos e padrões geométricos. Alguns pacientes descrevem como raio, cachoeira ou vidro quebrado.”
Segundo Rezende, o componente genético e o gênero pesam na enxaqueca. “A chance de uma criança que tem pai e mãe com enxaqueca também ter a doença é maior que 80%”, diz. Além disso, a condição afeta cerca de um terço das mulheres contra um sexto dos homens, de acordo com o médico.
Mas a enxaqueca pode ter diversos gatilhos, como privação de sono, jejum prolongado, níveis elevados de estresse e exercício físico extenuante podem disparar uma crise. Álcool e determinados alimentos também. O remédio é originalmente indicado para controle de pressão sanguínea e prescrito de forma off label para enxaqueca.
Segundo Rezende, esse é um dos tratamentos possíveis para a doença, que não tem cura. Além dos anti-hipertensivos, podem ser usados remédios para epilepsia, como topiramato, e pode ser feita a aplicação de toxina botulínica nos músculos da cabeça e do pescoço.
Outra possibilidade são as injeções de anticorpos que combatem a enxaqueca, que devem ser aplicadas uma vez ao mês. A sensação de impotência e frustração acompanham as mulheres nas crises.

