Em meio à programação cultural das férias em Fortaleza, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), localizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, consolida-se como um dos principais pontos do circuito artístico da capital. Equipamento do Instituto Dragão do Mar (IDM), o museu recebe a exposição “Bloco do Prazer”, que propõe um olhar amplo e sensível sobre a diversidade cultural brasileira a partir de festas, ritos e celebrações coletivas.
Com linguagem acessível e abordagem contemporânea, a mostra reúne obras, registros e instalações organizadas em diferentes núcleos temáticos, convidando o público a percorrer expressões que atravessam o cotidiano, a religiosidade e o imaginário popular do país.
Ritos de passagem e celebrações do cotidiano
O percurso expositivo tem início com os ritos de passagem, como nascimentos, aniversários e casamentos, apresentados como marcos simbólicos das transformações individuais e sociais. A partir dessas experiências, a exposição amplia o debate para as celebrações coletivas que se manifestam de formas distintas nas diversas regiões do Brasil, conectando memória, afeto e identidade cultural.
Festas religiosas, cortejos e arte popular
As festas religiosas, coroações simbólicas e cortejos populares ocupam papel central na narrativa da exposição. As manifestações ligadas a comunidades afrodescendentes, povos originários e tradições urbanas dialogam com obras de artistas cearenses reconhecidos por sua relação com o universo popular, como Descartes Gadelha, Zé Tarcísio, Luiz Hermano, Batista Sena e Sérgio Pinheiro, além da presença histórica de Raimundo Cela.
Dança, música e o corpo como expressão cultural
A dança e a música aparecem como elementos estruturantes da mostra. Frevos, afoxés, maracatus e outras expressões do carnaval de rua se articulam à presença de coletivos e mestres da cultura popular, como o Maracatu Vozes da África e Mestre Chico Emília, considerados tesouros vivos da cultura. O corpo surge, assim, como território de memória, resistência e celebração coletiva.
Fantasias, máscaras e identidade
Outro núcleo aborda o universo das fantasias, máscaras e alegorias, tratando o ato de fantasiar como prática simbólica e política. Nesse eixo, a exposição dialoga com produções de artistas contemporâneos como Yuri Firmeza, Heloísa Juaçaba, Jean dos Anjos, Paula Siebra e Alexia Ferreira, cujas obras tensionam questões de identidade, imaginação e pertencimento no contexto das festas populares.
Transe, catarse e espiritualidade
Na etapa final do percurso, o tema do transe e da catarse amplia a reflexão ao abordar rituais ligados às religiões de matriz africana e às celebrações coletivas. O corpo é apresentado como espaço de expressão estética, espiritual e política, com contribuições de artistas como José Leonilson, Siegbert Franklin e Estrigas, aprofundando a leitura crítica e sensível sobre a cultura brasileira.
Aberta ao público durante o período de férias, a exposição “Bloco do Prazer” reforça o papel do MAC-CE como espaço de encontro entre arte contemporânea e cultura popular. Integrada ao roteiro cultural de Fortaleza, a mostra oferece ao público local e aos visitantes a oportunidade de vivenciar um recorte plural e potente das manifestações culturais do Brasil em um equipamento do Instituto Dragão do Mar.
Serviço
Exposição “Bloco do Prazer”
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE)
Horário de funcionamento do MAC-CE: Quarta a sábado: 9h às 19h – Domingos e feriados: 10h às 20h | Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura — Fortaleza, CE
Realização: Instituto Dragão do Mar (IDM)
Patrocínio: Petrobras
Entrada gratuita

