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Estudo da UFC sobre capacete Elmo é publicado em uma das principais revistas de pneumologia do mundo

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Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso clínico no fim de 2020, durante o pico da segunda e mais mortal onda de Covid-19 no país, o capacete Elmo – dispositivo de suporte ventilatório não invasivo idealizado e desenvolvido no Ceará – tem sido alvo de estudos para validação e aprimoramento desde então.

Agora, um novo estudo soma-se a esse cenário de investigações, trazendo evidências consideradas de alto impacto sobre sua aplicação e eficácia. Coordenada pelo médico e professor da UFC Marcelo Alcântara, idealizador do Elmo, a pesquisa analisou dados de 1.685 adultos diagnosticados com Covid-19 e insuficiência respiratória hipoxêmica aguda, que receberam suporte respiratório com o uso do equipamento, entre novembro de 2020 e novembro de 2021.

O objetivo foi avaliar fatores relacionados à necessidade de intubação endotraqueal (ETI) e à mortalidade hospitalar, mesmo após o uso do dispositivo. Robusto, o estudo foi considerado de forte rigor metodológico e alta precisão estatística, e, em fevereiro deste ano, teve seus resultados publicados na Chest, uma das principais revistas científicas do mundo especializada em pneumologia, no artigo “Helmet-CPAP in 1,685 Covid-19 Patients: Outcomes and Predictors of Success in a Resource-Limited Multicenter Cohort”.

Dados – Segundo os achados, entre todos os pacientes da pesquisa, 63% não precisaram de intubação; já a taxa de mortalidade hospitalar foi de 24%,  ocorrendo quase exclusivamente entre os pacientes intubados.

O estudo também apontou fatores de proteção contra ETI, incluindo idade mais jovem, maior relação PaO₂/FiO₂ (índice que mede eficiência da oxigenação sanguínea e a troca gasosa pulmonar), menos eventos adversos e tratamento em hospital público. Já entre os fatores que aumentavam o risco de intubação e mortalidade estavam idade avançada, comorbidades, níveis aumentados de LDH, ureia e creatinina.

De acordo com os pesquisadores, esses resultados indicam que as características clínicas basais e a resposta fisiológica precoce são determinantes do sucesso do uso do Elmo e podem orientar a seleção e o monitoramento de pacientes em ambientes com recursos limitados (com pouco acesso a recursos de saúde por questões socioeconômicas).

Para reduzir a correlação entre os fatores avaliados (que pode distorcer estimativas e prejudicar a interpretação dos dados), eles foram separados em quatro domínios clínicos:

  • características intrínsecas do paciente (idade, sexo, IMC, comorbidades);
  • dados relacionados à gravidade do acometimento pulmonar e momento da intervenção (como saturação periférica de oxigênio, tempo de sintomas e escore de falência dos órgãos);
  • valores relacionados ao comprometimento sistêmico (extrapulmonar) do corpo, como LDH, ureia, creatinina, diuréticos, hemoglobina e plaquetas;
  • dados ligados à resposta ao uso do Elmo (medição de PaO₂/FIO₂ após 2–24h, pH, HCO₃ e eventos adversos como claustrofobia e boca seca).

“Ao separarmos essas quatro categorias, conseguimos fazer uma análise muito interessante e descobrir quais variáveis, dentro de cada categoria, interferem no resultado final (evitar intubação e a mortalidade hospitalar), sendo esse um dos pontos fortes do estudo”, explica Marcelo Alcântara.

“Por exemplo, vimos que a idade é um fator determinante no resultado final. Ou seja, pacientes mais idosos tratados com o capacete, em um cenário parecido com o que foi estudado, têm maior risco de necessitar de intubação. E assim nós conseguimos encontrar vários preditores que podem ser testados e avaliados em estudos futuros”, completou.

Conquista – O docente chama atenção para a importância de publicar o estudo na Chest. “É um periódico da American College of Chest Physician (Colégio Americano de Médicos do Tórax), associação muito tradicional dos EUA. A revista tem bastante prestígio e critérios de revisão bem mais rigorosos. Mais de três revisores participaram da análise do nosso trabalho nos mínimos detalhes, e no final o artigo foi elogiado por eles”, comemora Marcelo.

Para ele, uma publicação desse nível motiva a equipe a continuar trabalhando e tentando captar recursos. “Seguimos pesquisando o uso do Elmo em outras situações. Por exemplo, em pacientes que estão na emergência com insuficiência respiratória de outras causas que não covid, relacionadas a doenças pulmonares, doenças cardíacas, ou em pacientes que fazem cirurgias grandes e, no no pós-operatório, precisam de um suporte respiratório”, pontua.

Considerado um dos maiores exemplos de inovação em saúde no Ceará, o capacete Elmo foi viabilizado a partir de uma articulação entre universidades, Governo do Estado e setor empresarial. “Durante a pandemia conseguimos aplicá-lo em milhares de pacientes em um cenário de limitações, com falta de respiradores, falta de máscaras e outros itens. Muitas vezes, o capacete foi a única solução acessível. E ver agora, provado por A mais B, que a imensa maioria desses pacientes se beneficiou, sem precisar evoluir para uma intubação, é muito gratificante”, avalia Marcelo.

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