O Dia do Idoso é comemorado em 1º de outubro e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado recentemente, a população idosa no país alcançou o número de 31,2 milhões, sendo 14,7% dos brasileiros. O aumento foi de 39,8% no período de 2012 a 2021.
Hoje, viver até os 90 anos não é um grande desafio. É mais comum. A ideia não é prolongar a vida, viver mais, e sim viver mais com qualidade e prevenindo doenças como a demência. A longevidade saudável é um desejo de todos, mas com o envelhecimento da população e uma maior expectativa de vida no Brasil, as mudanças que ocorrem na velhice trazem implicações e desafios na dimensão social, econômica e de saúde, remetendo à necessidade de estudos que possam favorecer o bem-estar da pessoa idosa e o envelhecimento bem-sucedido.
Atualmente temos vários fatores que podem prevenir a ocorrência de algum tipo de demência, tais como: exercício físico, alimentação saudável, controle do colesterol, convívio social – é muito importante envelhecer com amigos e com o apoio de uma rede social, entre outros.
Ao longo dos anos trabalhando com idosos percebi que aqueles que faziam planos, traçavam metas e realizavam sonhos tinham um envelhecer mais saudável. Pensando nisso, organizei o livro ‘Propósito de vida da pessoa idosa’ (Summus Editorial) junto com outros 13 autores, especialistas em gerontologia de diferentes áreas de atuação.
É preciso que as pessoas tenham algo que as motivem a viver, como ‘um brilho nos olhos’, algo que elas queiram, que dê um objetivo ao dia a dia, isso é o que chamamos de propósito de vida. O propósito de vida, traduzido de uma maneira simples, é ter objetivos e metas. O que a pessoa deseja, o que a motiva para viver, tudo isso ajuda muito na estimulação cognitiva, para que ela tenha o desenvolvimento da memória, da concentração e da atenção no dia a dia.
Outro ponto importante é se envolver em atividades significativas que ajudem na melhora da cognição e na melhora também da prevenção das demências. Já está comprovado cientificamente, que a presença de propósitos de vida pode prevenir o surgimento das demências. E para aquelas pessoas que já tem uma demência diagnosticada, a presença de propósito de vida pode diminuir os efeitos deletérios da doença, então sinais e sintomas podem ser amenizados, atenuados e até serem prorrogados quando a pessoa tem uma motivação para viver, tem um propósito de vida.
O livro, o primeiro no Brasil com essa temática, está organizado em quatro partes. Cada capítulo traz um panorama dos estudos sobre o tema e também relatos de casos, que ilustram como a perspectiva do propósito de vida pode contribuir para a saúde física e mental dos pacientes idosos. Complementando a obra estão sugestões de documentários, séries, dramas, romances, comédias e aventuras envolvendo a temática das pessoas idosas, selecionadas para inspirar uma nova postura diante dos conceitos do Propósito de Vida e também uma escala, adaptada para a realidade brasileira, para avaliar o propósito de vida e estudar seu impacto em várias dimensões da saúde e do bem-estar de pessoas idosas.
Por Cristina Cristovão Ribeiro, fisioterapeuta, doutora em Gerontologia, presidente do Departamento de Gerontologia da Seccional do Paraná e professora

