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Corpo de Bombeiros: o que fazer no caso de descargas elétricas no período de chuvas

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O Sistema de Monitoramento e Alerta da concessionária de energia do Ceará já contabilizou 33.280 raios em 2023. Nos municípios de Viçosa do Ceará, Granja, Aiuaba, Mauriti e Icó foram registradas as maiores incidências de raios. Desde já, considerando as macrorregiões do Ceará, o Cariri foi a região mais atingida. Logo em seguida, vem o Vale do Jaguaribe e o Centro-Sul.

O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo. Por ano, há 77,8 milhões, em média, de descargas atmosféricas que rompem o céu e atingem o solo brasileiro. Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), anualmente, cerca de 110 pessoas morrem em decorrência do fenômeno, que também deixa mais de 200 feridos e causa, a cada ano, prejuízos de um bilhão de reais.

No ranking de fatalidades causadas por raios de países com estatísticas confiáveis, o Brasil é o segundo na América Latina com o maior número de mortes (o México ocupa o primeiro lugar), e o sétimo no mundo. Em suma, nos últimos 20 anos – 2000 a 2019 – 43% das mortes por raios ocorreram no verão e 33% durante a primavera. Esses são os períodos do ano em que as altas temperaturas e umidade do ar favorecem a formação de tempestades e raios.

Durante o período de chuvas intensas, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) lança um alerta para o perigo de descargas atmosféricas, que representam riscos. Com a incidência de raios durante eventos dessa natureza, o CBMCE orienta a população com dicas de segurança para redobrar os cuidados durante os temporais, seja dentro ou fora de casa.

Alerta

O primeiro alerta é para a população evitar locais abertos e descampados, como campos de futebol, praias e estacionamentos. Além disso, nesses casos, deve-se evitar proximidade com estruturas metálicas, como cercas de arame, varais metálicos, linhas férreas, torres de telefonia e outras estruturas que possam atuar como condutoras da descarga elétrica.

De acordo com o major Aluízio Souza Freitas, é importante ter sempre cuidado em áreas abertas ao perceber mau tempo com formação de nuvens carregadas. “A dica é de que o indivíduo abrigue-se em um ambiente fechado, tais como casas, comércios, indústrias, veículos ou instalação subterrânea, como metrô”.

Dentro de um veículo, a orientação é não sair. Feche os vidros e não encoste em partes metálicas. Outra dica é evitar lugares abertos, como estacionamentos, praias e campos de futebol.

Na praia, rio, lago ou piscina, os Bombeiros orientam que se retire imediatamente. Também é importante manter a distância de lugares ou objetos altos, como árvores, postes, quiosques, caixa d’água, torres, antenas e de objetos metálicos grandes e expostos, como tratores, escadas e cercas de alarme ou cercas em sítios e fazendas.

Em local aberto, sem um abrigo próximo, e sentir que seus pêlos estão arrepiados, ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isto pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.

Foto: Ascom CBMCE

Recomendações

“Recomendamos também que não soltem pipas e não carreguem objetos, como canos e varas de pesca, principalmente se forem metálicas, além de evitar andar de bicicleta, carro sem capota (conversível), motocicleta ou cavalo”, explicou o major Aluízio Souza Freitas.

Os raios são muito perigosos, podem causar lesões e até serem fatais. Embora as chances de atingir uma pessoa sejam pequenas, a incidência desses acidentes é grande.

As mortes e ferimentos em pessoas nem sempre estão associados à descarga de um raio diretamente. Da mesma forma, esses danos podem ser causados por efeitos indiretos, como a queda de um raio próximo ao local onde a vítima esteja. A propósito das tempestades, o major ainda afirmou que “um raio, pode sim, cair duas ou mais vezes no mesmo lugar”.

Ele explica que o raio atinge o objeto mais alto de um determinado local e que “as descargas elétricas causadas por quedas de raio acontecem, quase sempre, durante temporais. A incidência de raios é mais comum durante os temporais de verão, mas também podem ocorrer no inverno”.

Dentro de casa

Mesmo dentro de casa, a população também deve ter cuidados redobrados. As pessoas devem manter distância de janelas, canos, portas, espelhos e outros materiais metálicos. Além disso, também é recomendado afastar-se de tomadas elétricas. Os bombeiros militares, ainda ressaltam que equipamentos ou eletrodomésticos não devem ficar plugados na tomada, assim como aparelhos celulares e computadores. É bom evitar tomar banho em chuveiro elétrico ou ficar próximo à rede hidráulica, como torneiras e canos.

Os aparelhos celulares devem ser desligados das tomadas após serem utilizados. Por fim, os Bombeiros reforçam que a população não deve utilizar equipamentos não homologados e sem certificações de segurança, como carregadores falsificados. Outra orientação importante é nunca dormir com os aparelhos sob o travesseiro.

Choque elétrico

Nunca tocar a vítima de descarga elétrica diretamente e também é preciso desligar a chave geral da energia. Caso o interruptor não seja localizado, recomenda-se procurar um pedaço de madeira ou qualquer material não-condutor de eletricidade para que a vítima seja afastada da fonte de energia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deve ser acionado imediatamente, por meio do telefone 192.

“Caso a vítima esteja desacordada, orientamos que seja iniciado uma massagem cardiorrespiratória e ligue em algum desses números 190, 193 ou 192. Se a vítima estiver sem respiração ou agonizando para respirar, orientamos que deite a vítima de costas, numa superfície rígida; posicione seus braços estendidos, com os seus dedos entrelaçados no centro do tórax da vítima, entre os mamilos. Utilize o peso do seu corpo e inicie compressões torácicas de forma rápida e forte, a manobra deve ser efetuada com frequência de 120 compressões por minuto e permita o retorno total da parede torácica da vítima. Não interrompa as manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar até a chegada do socorro”, detalhou.

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