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Com 2.500 demissões, metade dos profissionais de autoescolas do Ceará, diz sindicato

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Demissões em massa, mudança na rotina de ensino e incertezas entre candidatos à habilitação marcam os primeiros efeitos do novo modelo de emissão da Carteira Nacional de Habilitação no Ceará. A publicação da Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em vigor desde dezembro do ano passado, reduziram a participação das autoescolas no processo e provocaram impacto imediato no setor.

Levantamento do Sindicato das Autoescolas do Estado do Ceará (SINDCFCS/CE) aponta que mais de 2.500 trabalhadores foram dispensados desde a mudança, o equivalente a quase 50% dos empregos formais mantidos pelos Centros de Formação de Condutores até 2025. Outros 2.500 trabalhadores permanecem em situação indefinida, sem saber se terão continuidade em seus empregos ou acesso a direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS e seguro de vida.

A maior parte dos desligamentos atingiu funções administrativas e pedagógicas, especialmente os cargos de diretor geral e diretor de ensino, que deixaram de existir com o novo formato. Mais de 700 profissionais dessas áreas foram demitidos logo no início.

O presidente do sindicato, Eliardo Martins, ressalta que o modelo tradicional garante segurança e responsabilidade: “Quando o cidadão procura uma autoescola para tirar a CNH, ele não contrata apenas um instrutor, mas uma empresa estruturada, com veículos regularizados, instrutores qualificados e acompanhamento completo durante todas as etapas”, afirma.

A reformulação faz parte de uma política do Governo Federal que prevê redução de até 80% nos custos para tirar a CNH. Entre as principais alterações estão a liberação do curso teórico totalmente online, a diminuição da carga mínima de aulas práticas de 20 para apenas duas e a fixação de um teto de R$ 180 para as taxas dos exames obrigatórios.

Apesar da promessa de barateamento, o setor avalia que o novo modelo gerou confusão entre os candidatos. Segundo o sindicato, muitos usuários acreditaram que a CNH seria gratuita, o que não ocorreu. Exames médicos, psicológicos, laboratoriais e taxas dos Detrans continuam sendo cobrados, o que teria causado frustração e insegurança em parte da população.

As autoescolas seguem responsáveis pelas aulas práticas, mas com carga horária bastante reduzida. Já no ensino teórico, a entidade relata insatisfação de candidatos com o aprendizado exclusivamente por aplicativos, principalmente no entendimento das regras de trânsito e na preparação para a prova.

Diante desse cenário, os CFCs passaram a oferecer aulas de reforço e revisões teóricas, presenciais e online, conduzidas por instrutores. A estratégia busca melhorar a compreensão do conteúdo, dar mais segurança aos futuros condutores e elevar os índices de aprovação nos exames teóricos.

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Carregar mais por Kátia Alves
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