A ceia de Natal em 2024 promete ser mais cara neste ano. De acordo com a prévia do levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o custo da cesta de produtos típicos da ceia teve um aumento de 9,16% em comparação ao ano passado, alcançando um valor médio de R$ 439,30, frente aos R$ 402,45 de 2023. O aumento é principalmente impulsionado pelos preços das carnes, itens de grande peso nas mesas durante as festas de fim de ano.
Entre os cortes de carne, o lombo de porco teve a maior alta (19,72%). O pernil também registrou um aumento significativo (17,80%), seguido pelo filé mignon (16,87%) e a picanha (14,94%). Esses cortes, que costumam ser protagonistas da ceia, devem continuar a sofrer ajustes de preço até o fim do ano, especialmente em função da menor oferta de gado, consequência da seca que afeta diversas regiões produtoras.
Azeite é vilão
Embora as carnes sejam os itens mais esperados pelos brasileiros durante as festividades, o grande vilão da ceia de Natal em 2024 é o azeite de oliva, que teve aumento de 21,30% neste ano. Este ingrediente, presente em diversas receitas tradicionais, se torna um fator de preocupação para o bolso dos consumidores, que, no contexto atual, enfrentam uma inflação mais alta que a registrada no ano anterior.
Nesse cenário, o preço da cesta supera a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Até outubro de 2024, o IPCA acumulado no ano foi de 3,88%, e nos últimos 12 meses, a alta foi de 4,76%. Isso significa que os custos da ceia de Natal estão muito acima da média da economia brasileira, o que faz com que muitas famílias sintam o impacto dos aumentos, especialmente na compra de carnes e azeite. A tendência é que a alta nos preços se mantenha até o final do ano. Por isso, os especialistas recomendam que, quem puder, antecipe as compras.
Com a chegada das festas, a combinação de altos preços das carnes e o impacto das mudanças climáticas nos custos de produção tornam a ceia de Natal 2024 um reflexo das complexas variáveis econômicas que afetam a vida do consumidor. Na avaliação da Val Freitas, Contadora e sócia da Repense Inteligência Financeira, o aumento da Cesta Natalina se deve por fatores internos e externos.
“A carne, por exemplo, vem enfrentando altas devido à seca, o que reduz a produção do corte, a alta do dólar, fazendo que os produtores priorizem a exportação em detrimento ao mercado interno, já que os lucros serão maiores. O azeite também vem acumulando altas constantes bem acima da inflação. Esse aumento também se deve a condições climáticas na Europa onde se localiza os maiores produtores de azeite do mundo”.
Ainda segundo a especialista, para o consumidor resta pesquisar preço e substituir produtos por similares são boas alternativas para quem deseja pagar menos por sua cesta natalina. “Alguns mercados, como os ‘atacarejo’ são ótimas opções para quem quer economizar um pouco sem ter que andar muito. Além do mais, esses grandes mercados costumam ter marcas próprias onde o preço de venda é sempre mais barato do que marcas tradicionais”, concluiu.

