O Ministério da Saúde iniciou, na terça-feira (2), a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). O primeiro lote, com 673 mil doses, será enviado a todos os estados. O Ceará recebeu 29.030 doses, nesta quarta-feira, 3 de dezembro. A imunização, ofertada gratuitamente pelo SUS, é destinada a gestantes a partir da 28ª semana e tem como objetivo reduzir casos de bronquiolite em recém-nascidos. Com a chegada das doses, estados e municípios poderão iniciar a vacinação nos postos de saúde.
“Esse é mais um passo decisivo para proteger gestantes e recém-nascidos de uma das infecções respiratórias mais graves do período neonatal. A chegada dessa vacina é uma novidade e reforça o compromisso do SUS com a prevenção e com o cuidado integral das famílias brasileiras”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A estratégia, incorporada este ano ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), tem como objetivo proteger os bebês nos primeiros seis meses de vida, reduzindo o risco de formas graves de bronquiolite e pneumonia, duas das principais causas de hospitalização nessa faixa etária.
“A chegada da vacina ao Ceará representa um avanço significativo para a proteção das gestantes e de seus bebês. Com a incorporação da estratégia ao PNI, o SUS amplia sua capacidade de prevenir casos graves e salvar vidas”, destaca a secretária da Saúde, Tânia Mara Coelho.
A oferta da vacina no SUS, que na rede privada pode custar até R$ 1,5 mil, foi viabilizada por meio de acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor, que assegurou a transferência de tecnologia ao Brasil. Com isso, o país passará a fabricar o imunizante, ampliando autonomia e acesso da população a essa proteção.
A estimativa é de que cerca de 108 mil gestantes sejam vacinadas no Estado ao longo da campanha. A dose é aplicada em dose única e está disponível exclusivamente para gestantes que tenham chegado ao período em que a transferência de anticorpos ao bebê ocorre com maior eficiência.
“A vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana porque é nesse momento que conseguimos garantir maior proteção ao recém-nascido nos primeiros meses de vida”, explica a coordenadora de Imunização da Sesa, Ana Karine Borges.
Cada município organizará seus horários e rotinas de aplicação conforme o recebimento das doses. Para se vacinar, é necessário apresentar a caderneta da gestante ou documento que comprove a idade gestacional.
A Sesa lembra que a vacinação é segura, gratuita e constitui uma das medidas mais efetivas para prevenir complicações respiratórias graves em recém-nascidos.
Importância da vacinação
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo hospitalizações.
Em 2025, até a 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SARG por VSR no período.
Como a maioria dos casos é decorrente de infecção viral, não existe um tratamento específico para a bronquiolite. O manejo é baseado apenas no tratamento dos sinais e sintomas que incluem: terapia de suporte; suplementação de oxigênio, conforme necessário; hidratação; e uso de broncodilatadores, (substâncias que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas nos pulmões), especialmente quando há chiados evidentes.

Quem deve se vacinar?
O grupo prioritário para receber essa vacina são todas as gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.
Com a chegada das doses às Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Ministério orienta as equipes a verificarem e atualizarem a situação vacinal das gestantes, incluindo influenza e covid-19, uma vez que a vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes.
A eficácia dessa estratégia foi comprovada em estudos clínicos, como o Estudo Matisse: a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias (três meses) após o nascimento.

