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Ceará aposta na revitalização do algodão como motor estratégico da Rota da Moda

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O Ceará reafirmou seu papel de liderança no setor têxtil nacional durante a abertura do 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda do Brasil, realizado nesta terça-feira (24), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). O evento, que reuniu representantes de seis estados, foi palco de uma análise profunda do secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, Domingos Filho, sobre o ressurgimento da cotonicultura cearense sob uma nova ótica tecnológica e de inclusão social.

Com o tema “Do Ouro Branco à Passarela”, o secretário detalhou como o Governo do Estado, em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o setor produtivo, está “juntando as peças” para que o Ceará volte a produzir a matéria-prima que abastece seu robusto parque industrial.

Em sua apresentação, Domingos Filho destacou que o Ceará já foi o maior produtor de algodão do país e que a indústria têxtil permaneceu no estado mesmo após a crise do bicudo nas décadas passadas. “Queremos reviver os tempos em que o algodão era a grande riqueza rural, garantindo que a família possa ter renda no campo”, disse.

Um dos pontos altos da fala do secretário foi a intersecção entre a produção agrícola e a moda. Ele anunciou a expansão de políticas de capacitação., citando alguns exemplos. “Chegamos a um tempo em que os empregos procuram as pessoas, e não o contrário. Se você tem mão de obra qualificada, a oportunidade chega. Estamos alinhando com a Prefeitura de Fortaleza e o Ministério projetos para conseguirmos produzir no campo e capacitar pessoas, a indústria e a moda que já estão aqui farão o resto. É só juntar as partes”.

O secretário revelou que o entusiasmo dos produtores tem superado as expectativas iniciais do governo, especialmente com a adesão ao algodão irrigado, que oferece maior segurança e produtividade em relação ao plantio dependente das chuvas (sequeiro).

“Nossa proposta era plantar 5 mil hectares em dois anos. Já estamos recebendo demandas fora do comum para o algodão irrigado. Enquanto no sequeiro colhemos cerca de 1.500 kg por hectare, o irrigado promete chegar a 5.000 kg. O governo garante a semente, a prefeitura auxilia na supressão vegetal e a indústria fornece as máquinas de colheita. Todos os desafios que desanimavam o produtor, nós conseguimos entregar.”

Ceará: O maior produtor de algodão orgânico

Além do algodão convencional e transgênico, o Ceará se consolida em um nicho de alto valor agregado: a produção orgânica ligada à agricultura familiar. “Nós somos o maior produtor de algodão orgânico do Brasil, e essa produção é toda da agricultura familiar. O algodão é transformador porque chega onde as pessoas estão em situação de maior vulnerabilidade, no campo, e cria oportunidade de renda sem exigir grandes formalidades iniciais”, enfatizou o titular da SDE, Domingos Filho.

O gestor atribuiu o crescimento econômico do Ceará — que, segundo ele, cresce o dobro da média nacional e 25% no setor agro — à maturidade política do estado, onde projetos estruturantes como o Porto do Pecém e o Hub Aéreo são mantidos independentemente de gestões partidárias.

O 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda do Brasil segue até o dia 27 de fevereiro com visitas técnicas a indústrias em Maracanaú, centros atacadistas como o Maraponga Mart Moda e o Centro Fashion, encerrando-se na Ceart, onde a tradição do artesanato cearense é celebrada como ativo da economia criativa.
O evento reafirma o papel do Ceará como vitrine de inovação, sustentabilidade e organização produtiva, fortalecendo a cooperação entre os estados e ampliando a competitividade da moda brasileira.

Sinergia entre Indústria e Governo

O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, destacou a importância vital dos setores têxtil, de confecção e roupas para a economia cearense, ressaltando as ações dos sindicatos, e validou a estratégia de integração entre os órgãos envolvidos no 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda do Brasil, e das ações liderada pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE).

“A gente vai transformando a cadeia produtiva, e tenho certeza que o trabalho que o secretário Domingos Filho está fazendo vai gerar muito, muito efeito. A gente precisa acreditar nisso”, afirmou Ricardo Cavalcante, reforçando o otimismo do setor industrial com a retomada da produção local e perspectivas do impulsionamento da cotonicultura no Estado do Ceará.

A representante do MIDR, Marilene Nascimento, que representou o ministro Waldez Góes, enfatizou que a integração é um modelo de cooperação para o desenvolvimento do Brasil. “Estamos aqui em nome do ministro Waldez para reafirmar a importância desse grande trabalho e dessas mãos dadas em torno de um desenvolvimento regional de um país melhor, mais justo e igualitário. Estamos construindo isso com mãos dadas, seja nos municípios, nos estados ou nas pequenas regiões onde vemos o potencial de uma cadeia produtiva se desenhando”, declarou Marilene Nascimento.

Durante a cerimônia de abertura do 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda do Brasil, também estiveram presentes representantes: da SDE, MIDR, Prefeitura Municipal de Fortaleza, Fiec, Fecomércio, Sebrae, sindicatos ligados à temática do evento e dos estados que compõem a Rota da Moda — Ceará, Amapá, Alagoas, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

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