Cuidar de pessoas com dor crônica, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou doença de Alzheimer exige uma abordagem que vá além do controle de sintomas físicos. Em muitos desses quadros, o sofrimento está associado à ansiedade, à agitação, à confusão mental e à dificuldade de comunicação, fatores que impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes e de quem cuida. Diante desse cenário, cresce o interesse por estratégias e técnicas complementares que ampliem o cuidado técnico com mais conforto, previsibilidade e acolhimento. A aromaterapia tem se consolidado como uma dessas ferramentas integrativas.
A Dra. Talita Pavarini é doutora em Enfermagem pela USP e especialista em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Com atuação acadêmica e clínica, ela desenvolve protocolos de aromaterapia aplicados ao cuidado de pessoas necessitadas, sempre com base em evidências científicas, critérios de segurança e integração ao tratamento convencional.
Pesquisas recentes reforçam o papel da aromaterapia nesse contexto. Uma revisão integrativa publicada em 2025 analisou estudos clínicos que investigaram o uso da aromaterapia no alívio da ansiedade, do estresse e da tensão emocional em diferentes populações, incluindo pessoas em sofrimento físico e psicológico. Os autores observaram que a inalação de óleos essenciais como lavanda (Lavandula angustifolia), bergamota e camomila esteve associada à redução de sinais de ansiedade, melhora do relaxamento e maior sensação de bem-estar, destacando a aromaterapia como recurso complementar promissor quando aplicada de forma estruturada.
No TEA, a sobrecarga sensorial e a dificuldade de autorregulação emocional são desafios frequentes. Óleos essenciais como laranja-doce e lavanda (Lavandula angustifolia) têm sido utilizados para auxiliar na redução da agitação, da ansiedade sensorial e da irritabilidade, contribuindo para estados de maior calma e previsibilidade no ambiente. Talita explica que “a aromaterapia não altera ou cura o transtorno, mas pode ajudar o corpo a sair de um estado constante de alerta, favorecendo a regulação emocional e a interação com o entorno”.
Em quadros de Alzheimer e outras demências, o cuidado envolve lidar com confusão mental, agitação e sensação de estranhamento, que geram sofrimento intenso. Óleos como alecrim e limão pela manhã são utilizados para estímulo cognitivo leve, enquanto lavanda (Lavandula angustifolia) e manjerona auxiliam na redução da agitação e na criação de uma atmosfera mais acolhedora. “Mesmo quando o paciente não reconhece pessoas ou lugares, ele percebe quando o ambiente é seguro. O aroma ajuda a construir essa sensação de conforto e familiaridade”, observa a especialista..
No manejo da dor crônica, a aromaterapia também encontra espaço relevante. A dor não é apenas um fenômeno físico, mas uma experiência vivida pelo corpo inteiro, envolvendo emoções, memória e estresse. Óleos como lavanda (Lavandula angustifolia) e hortelã-pimenta são associados à redução da percepção dolorosa, ao relaxamento muscular e à melhora do sono. “Quando conseguimos diminuir a tensão emocional e favorecer o descanso, impactamos diretamente a forma como a dor é sentida”. afirma.
As aplicações são simples e adaptáveis ao cuidado diário: difusores ambientais, inaladores pessoais, massagens com óleos diluídos e rituais sensoriais estruturados. Em todos os casos, a prática deve respeitar protocolos de segurança (simplicidade não é ausência de risco!), qualidade do óleo, diluição adequada e avaliação individual. A aromaterapia não substitui tratamentos tradicionais, mas atua como ponte entre o cuidado técnico e o conforto humano.
Quando profissionais da saúde incorporam a aromaterapia como prática clínica complementar, o cuidado muda de patamar. “É possível cuidar da dor, da ansiedade, do medo e do ambiente ao mesmo tempo, com recursos naturais potentes e muito conhecimento”, conclui a Dra. Talita Pavarini. Em contextos de TEA, Alzheimer e dor crônica, essa integração representa um avanço importante rumo a um cuidado mais completo, ético e sensível.

