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Após gastos de fim de ano, consumidores buscam caminhos para sair do endividamento

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Os meses que sucedem o Natal e as festas de fim de ano costumam trazer um desafio comum a muitas pessoas: o acúmulo de dívidas. Compras parceladas, uso excessivo do cartão de crédito e despesas extras típicas do período acabam pressionando o orçamento familiar logo no início do ano, aumentando os índices de inadimplência e superendividamento.

Neste cenário, especialistas apontam que a renegociação de dívidas é um dos primeiros e mais eficazes passos para reorganizar as finanças. Procurar bancos, financeiras e empresas credoras para rever prazos, reduzir juros e consolidar débitos pode tornar o pagamento mais viável e evitar a escalada da dívida. Feirões de negociação e canais digitais das instituições financeiras também costumam oferecer condições especiais neste momento.

Outra alternativa utilizada por parte dos consumidores é o crédito consignado, modalidade que possui juros mais baixos por ter parcelas descontadas diretamente da renda. Quando usado com planejamento e exclusivamente para quitar dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, o consignado pode ajudar a equilibrar o orçamento. No entanto, especialistas alertam que essa opção deve ser adotada com cautela, para não comprometer excessivamente a renda mensal.

Nesse processo de regularização, defensoras e defensores públicos exercem papel fundamental, oferecendo orientação jurídica gratuita a pessoas superendividadas. Defensores podem auxiliar na compreensão de contratos, na negociação com credores e na aplicação da Lei do Superendividamento, que garante ao cidadão o direito a condições de pagamento que preservem o mínimo existencial.

Segundo o defensor público do estado do Ceará Epaminondas Feitosa, que atua na 2ª Defensoria do Núcleo de Defesa do Consumidor (NUDECON), o início do ano é um momento estratégico para buscar ajuda. “Muitas pessoas chegam à Defensoria acreditando que não há saída para a situação em que se encontram, mas o nosso trabalho é mostrar que a renegociação é possível e que a lei assegura ao consumidor o direito de reorganizar suas dívidas sem comprometer sua subsistência e a de sua família”, explica.

Ele destaca ainda que o atendimento jurídico pode evitar decisões precipitadas. “Antes de contratar novos empréstimos ou aceitar acordos desfavoráveis, é fundamental buscar orientação. A Defensoria atua para equilibrar essa relação entre consumidor e credor, promovendo soluções viáveis e sustentáveis”, completa.

Com informação, apoio jurídico e planejamento financeiro, o início do ano pode deixar de ser sinônimo de sufoco e se transformar em uma oportunidade de recomeço, permitindo que famílias recuperem o controle do orçamento e construam uma relação mais saudável com o crédito.

Revisar hábitos de consumo, mapear gastos fixos e variáveis, estabelecer prioridades e criar uma reserva de emergência são medidas essenciais para evitar o retorno ao ciclo de endividamento. Pequenas mudanças no dia a dia podem gerar impacto significativo no médio e longo prazo.

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