Até 30% das frutas e hortaliças podem ser perdidas após a colheita, segundo dados utilizados no projeto de um laboratório da Universidade Federal do Ceará (UFC) voltado à análise de alimentos de origem vegetal. A iniciativa busca contribuir para o controle da qualidade e da segurança de produtos frescos ou processados, além de oferecer informações que possam auxiliar produtores e agroindústrias a identificar problemas e aprimorar processos ao longo da cadeia produtiva.
A pesquisa faz parte do escopo de iniciativas apoiadas pela Fundação FASTEF, responsável pela gestão dos recursos destinados ao projeto. A proposta reúne extensão, ensino e pesquisa e prevê a participação de estudantes de graduação e pós-graduação em atividades relacionadas a demandas reais do setor produtivo.
O Laboratório de Análise de Alimentos de Origem Vegetal pretende atender produtores rurais, agroindústrias, órgãos de fiscalização e consumidores interessados em informações sobre aspectos físico-químicos, nutricionais, funcionais e de segurança dos alimentos. Entre os exames previstos estão análises de pH, acidez, sólidos solúveis, umidade, cor e textura, além da avaliação de proteínas, lipídeos, carboidratos, fibras e valor energético. Também estão previstas análises de resíduos de agrotóxicos em conformidade com normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“O investimento em pesquisa aplicada é fundamental para aproximar o conhecimento produzido na universidade das necessidades concretas da sociedade. Ao apoiar iniciativas como essa, a FASTEF contribui para que a pesquisa se transforme em serviço, conhecimento e soluções capazes de gerar impactos positivos para produtores, empresas e consumidores”, afirma o presidente da FASTEF, Perucio.
Além da segurança dos alimentos, o laboratório poderá avaliar compostos bioativos presentes em frutas e hortaliças, como fenólicos, flavonoides, carotenoides e vitamina C. Essas informações podem contribuir para estudos sobre características nutricionais e funcionais dos alimentos e para o desenvolvimento de pesquisas aplicadas.
A análise também pode ter impacto direto na comercialização dos produtos. O monitoramento de características de qualidade e segurança é utilizado para atender normas, procedimentos de produção e requisitos de certificações, inclusive em produtos destinados à exportação. De acordo com o projeto, a identificação de eventuais problemas permite a elaboração de recomendações para mudanças em diferentes etapas da cadeia produtiva.
A equipe é coordenada pela professora Raquel Alcântara de Miranda, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do Centro de Ciências da UFC e bolsista de produtividade do CNPq. Também integram a iniciativa as professoras Luciana de Siqueira Oliveira, do Departamento de Tecnologia de Alimentos do Centro de Ciências Agrárias, e o professor Humberto Henrique de Carvalho, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular.
A expectativa é que o laboratório realize até 1.200 determinações por ano, ampliando a oferta de serviços especializados à comunidade e fortalecendo a integração entre universidade, setor produtivo e sociedade.

