Em meio à dor de perder alguém que se ama, uma decisão pode transformar o significado da despedida e permitir que outras histórias continuem. É com essa mensagem que o Instituto Dr. José Frota (IJF), hospital da Prefeitura de Fortaleza, participa da campanha Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
Com o tema “Quem doa órgãos, doa esperança e recomeços”, a iniciativa busca sensibilizar a população para um gesto que pode beneficiar milhares de pessoas que aguardam por um transplante. No período, o hospital também vai iluminar a estrutura e realizar ações internas.
Referência nacional na captação de órgãos, o IJF encerrou 2025 com 152 doadores de órgãos e tecidos. De janeiro a julho de 2026, o hospital já contabiliza 118 doadores, sendo 47 de múltiplos órgãos e 69 de córneas. Somente em julho, foram registrados 32 doadores, o maior número mensal do ano até então, sendo 13 de múltiplos órgãos e 19 de córneas. O hospital também alcançou, em 2026, 82% de autorização familiar para a doação, índice superior à média nacional, de aproximadamente 55%.
Entre os principais órgãos e tecidos captados no IJF estão fígado, rins e córneas, além de pulmão, coração e pâncreas. O trabalho desenvolvido no hospital contribui diretamente para a rede de transplantes do Ceará e integra o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Atualmente, o IJF é responsável por cerca de 30% das doações de órgãos disponibilizados para transplantes, maior captador do Estado.
Para Andressa Vasconcelos, madrinha e prima de uma adolescente de 13 anos que veio a óbito após um acidente de moto, autorizar a doação foi uma das decisões mais difíceis enfrentadas pela família. Mesmo diante da perda, a família encontrou na possibilidade de ajudar outras pessoas uma forma de ressignificar a despedida.
“Fazer uma doação de órgãos não é algo que é fácil. É difícil porque, neste momento, estamos enfrentando a maior dor de nossas vidas. Mas, mesmo na dor, eu sei que a vida da minha menina não foi em vão. Ela sempre foi tão prestativa e, em seus últimos momentos, ela doou vida para outras pessoas. A doação significa esperança, vida, uma nova chance”, relata.
Como funciona a doação
Nos casos de doador falecido, a doação de órgãos ocorre somente após a confirmação da morte encefálica, seguindo protocolos e critérios estabelecidos pela resolução do Conselho Federal de Medicina. A equipe hospitalar acompanha todas as etapas do processo e oferece acolhimento aos familiares, esclarecendo dúvidas e garantindo que a decisão seja tomada de maneira consciente, segura e humanizada. No Brasil, a autorização da família é indispensável. Por isso, é fundamental conversar em vida com os familiares e manifestar o desejo de ser doador.
No IJF, a atuação da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) começa com a identificação de um potencial doador e segue com a avaliação clínica, a confirmação da morte encefálica, o acolhimento familiar e a entrevista. Após a autorização, são realizados os procedimentos necessários para a captação, e os órgãos e tecidos são encaminhados pela rede do Sistema Estadual de Transplantes para os pacientes compatíveis que aguardam na fila.
“Nosso trabalho é estar ao lado da família em um momento de extrema fragilidade, oferecendo informação, segurança e acolhimento. A decisão pela doação precisa ser livre e consciente, e nosso papel é garantir que os familiares tenham todo o suporte necessário. Cada autorização representa uma possibilidade de transformar uma história de perda em novas oportunidades de vida. Atualmente, nossa equipe é composta por mais de 20 profissionais, entre médico, enfermeiros e técnicos, que atuam em regime de plantão 24 horas, sete dias por semana, para atuar em todas as etapas do Processo de doação e transplante “, destaca Aline Alves, coordenadora da e-DOT do IJF.
14º Encontro das Famílias Doadoras
Como parte da programação do Setembro Verde, o IJF realizará, no final de setembro, o 14º Encontro das Famílias Doadoras de Órgãos, iniciativa que reúne familiares que autorizaram doações, pessoas transplantadas, profissionais de saúde e demais integrantes da rede de transplantes. O encontro é um momento de acolhimento, homenagem, troca de experiências e reconhecimento às famílias que, mesmo diante da dor da perda, disseram “sim” à doação e ajudaram a transformar vidas

