Sobrecarga, solidão e falta de escuta revelam uma realidade que precisa entrar na pauta da inclusão: o cuidado com as mães atípicas.
No mês em que o país amplia o debate sobre a proteção e o enfrentamento à violência contra a mulher, uma questão ainda pouco discutida merece atenção: quem está cuidando das mães atípicas?
O Agosto Lilás é uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher e, em 2026, ganha um significado especial com os 20 anos da Lei Maria da Penha. Nesse contexto, a discussão também pode ampliar o olhar para mulheres que vivem diariamente uma rotina de sobrecarga, tensão e, muitas vezes, solidão: as mães de crianças e adolescentes atípicos.
São mulheres que, frequentemente, precisam administrar terapias, consultas, escola, medicações, crises, adaptações, reuniões e inúmeras decisões relacionadas ao desenvolvimento e ao futuro dos filhos.
“Quando falamos em inclusão, precisamos lembrar que existe uma família inteira por trás daquela criança. E muitas vezes existe uma mãe exausta, sobrecarregada e até mesmo sozinha, que precisa ser cuidada tanto quanto o filho que acompanha”, afirma Kathia Fernanda, com mais de 30 anos de experiência na área da educação, pedagoga, psicopedagoga especialista em educação inclusiva e gestora da Clínica INCLUIR.
Para a especialista, escolas, clínicas e profissionais que trabalham com crianças atípicas precisam ampliar sua atuação e compreender que o acolhimento da família também faz parte do processo de inclusão.
“Essa mãe não precisa de mais julgamentos. Ela precisa de escuta. Precisa que alguém pergunte como ela está, o que está vivendo e de que forma pode ser ajudada. Muitas vezes, ela passa tanto tempo cuidando de todos que já não consegue perceber o quanto também precisa de cuidado.”
Uma comunicação mais humanizada, espaços de escuta, diálogo entre escola, família e profissionais e uma relação baseada em parceria, e não em cobranças, podem fazer diferença na rotina dessas famílias.
“Não existe inclusão de verdade quando a criança é acolhida, mas a família se sente julgada. Cuidar da criança também significa olhar para quem cuida dela”, ressalta Kathia.
A discussão proposta neste Agosto Lilás pretende, portanto, deixar uma reflexão que ultrapasse o mês de agosto: quem cuida de quem cuida?

