O Porto de Fortaleza fechou o primeiro semestre de 2026 com 2.589.359 toneladas movimentadas, alta de 10,06% sobre igual período de 2025 e 6,87% acima da meta traçada pela Companhia Docas do Ceará (CDC), empresa pública federal que administra o porto, para o intervalo. Ao mesmo tempo, a estatal projeta crescimento de 70% no número de escalas de cruzeiros na temporada 2026/2027, de cinco para nove navios, entre outubro e abril, com 14 mil passageiros esperados.
Além do desempenho operacional, a administração do porto prevê um avanço expressivo no turismo marítimo. Para a temporada de cruzeiros 2026/2027, a expectativa é de um crescimento de 70% no número de escalas, passando de cinco para nove navios entre outubro e abril, com estimativa de aproximadamente 14 mil passageiros.
Segundo o presidente da CDC, Quintino Vieira, o aumento reflete a recuperação do setor e o fortalecimento de Fortaleza como destino no roteiro dos cruzeiros marítimos.
Trigo, combustíveis e contêineres impulsionam a movimentação
O crescimento foi registrado em praticamente todos os segmentos de carga. A carga geral avançou 30,14%, impulsionada principalmente pelo transporte de equipamentos destinados ao setor de energia eólica, como pás e maquinários.
Já a movimentação de contêineres aumentou 14,57%, enquanto os granéis líquidos cresceram 7,63%. Os granéis sólidos agrícolas tiveram alta de 9,93% e os granéis sólidos minerais avançaram 1,40%, alcançando recorde mensal em maio deste ano.
A meta da CDC é movimentar 5,083 milhões de toneladas até o fim de 2026, superando em 2,51% o desempenho do ano anterior. No entanto, o resultado do primeiro semestre já ultrapassa o ritmo inicialmente previsto.
Porto lidera movimentação de trigo no Brasil
Os combustíveis, incluindo diesel, gasolina, GLP e querosene de aviação (QAV), representam 48,4% de toda a carga movimentada no semestre.
Os granéis sólidos respondem por outros 36,3% do volume, com destaque para o trigo, que corresponde a boa parte da movimentação agrícola.
De acordo com a Companhia Docas do Ceará, o Porto de Fortaleza movimenta cerca de 1,2 milhão de toneladas de trigo por ano, consolidando-se como o maior terminal brasileiro nesse segmento, à frente de outros importantes portos nacionais. O desempenho é atribuído à presença de três grandes moinhos instalados dentro da área portuária.
Grande parte do trigo chega da Argentina, por meio dos portos de Rosário, San Lorenzo e San Pedro. Já o coque de petróleo é importado dos Estados Unidos e da Colômbia, enquanto combustíveis são recebidos principalmente do México e do Caribe.
Nas exportações, as frutas destinadas ao mercado europeu, especialmente ao porto de Roterdã, na Holanda, continuam entre os principais produtos embarcados.
Outro fator apontado pela administração para manter o crescimento é a nova rota de cabotagem, iniciada em abril pelo grupo CMA CGM em parceria com a Mercosul Line.
Terminal de passageiros recebe investimento de R$ 6 milhões
O Terminal Marítimo de Passageiros passou por uma requalificação em seu acesso viário, com investimento de R$ 6 milhões realizado pela concessionária ABA Infra.
A obra teve como objetivo melhorar a segurança, facilitar o fluxo de veículos e oferecer mais conforto a passageiros, turistas, organizadores de eventos e operadores logísticos.
Além da intervenção, a CDC também executa a modernização do sistema de iluminação em LED em toda a área portuária e amplia a estrutura de videomonitoramento.
Embora o terminal seja utilizado para diferentes tipos de eventos, sua principal função continua sendo receber navios de cruzeiro durante a temporada turística, tradicionalmente realizada entre outubro e abril.
Atratividade turística ainda é desafio para ampliar cruzeiros
Apesar de possuir estrutura capaz de receber embarcações de grande porte, a administração do porto reconhece que o principal obstáculo para aumentar o número de escalas não está na infraestrutura.
Segundo a CDC, os desafios estão relacionados ao fortalecimento da atratividade turística de Fortaleza, aos custos operacionais e à integração da capital cearense com outras rotas internacionais de cruzeiros.
Plano de expansão prevê novos terminais e melhorias no canal
Nos próximos cinco anos, a Companhia Docas do Ceará pretende ampliar a capacidade operacional do porto por meio do arrendamento de três novos terminais: dois voltados para granéis sólidos minerais e um destinado à movimentação de contêineres e carga geral.
Outra frente de investimento envolve melhorias na infraestrutura aquaviária. Estudos conduzidos pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia da USP permitiram ampliar o calado operacional do Canal Oeste de 8 para 11,75 metros, possibilitando a atracação de navios maiores independentemente da maré.
Também está em processo de atualização junto à Marinha do Brasil um novo canal natural, denominado Canal Norte-Sul, com profundidade de até 12 metros. Além disso, a largura do Canal Oeste foi ampliada de 160 para 220 metros, aumentando a segurança e a eficiência das operações.
Mesmo com os investimentos, a administração reconhece que a expansão física do porto possui limitações por estar inserido em área urbana. Por isso, a estratégia de crescimento está concentrada na modernização da infraestrutura existente, na melhoria da eficiência operacional e na atração de investimentos privados.
Fonte: Movimento Econômico

