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Psicólogo fala sobre como lidar com a morte e o luto na infância e adolescência

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Marcada como uma data para lembrar e homenagear aqueles que já partiram, o Dia de Finados, 2 de novembro, também traz reflexões sobre o luto e a elaboração da perda de uma pessoa especial. Lidar com essa ausência é difícil em qualquer idade, inclusive para as crianças. Por isso, segundo especialistas, é importante que os adultos saibam abordar o tema com os filhos desde a infância.

Para o psicólogo do Nosso Lar Hospital, Danilo Montenegro, muitos pais ocultam ou procuram disfarçar o tema com o intuito de poupar os filhos de algum sofrimento na tentativa de proteção emocional, porém, falar com a criança ou adolescente sobre a morte possibilita que elas saibam encarar e compreender melhor os medos e o desconhecido.

“As crianças percebem que a morte cerca o nosso mundo. Elas vêem, escutam e sabem o conceito do que é finito. Algumas perguntas sobre a morte iniciam-se por volta dos 5 anos de idade. É importante salientar que a notícia da perda deve ser dada de forma direta, não importa a idade da criança, utilizando-se a palavra morte e deixando claro que se trata de algo irreversível”, aponta Danilo.

Embora seja um assunto delicado e complexo para a maioria dos pais e escola trabalharem com crianças e jovens, já que envolve crenças familiares, maturidade e questões emocionais, o psicólogo explica que a ausência de diálogo poderá causar uma série de traumas naqueles que perderam algum ente querido. “Na verdade, uma boa comunicação com a criança certamente contribuirá para a superação da perda”, diz.

É comum as famílias utilizarem expressões como “Vovô está vivo em outra dimensão”, “Mamãe foi morar com papai do céu”, “Totó foi para o paraíso dos cachorrinhos”, “Fulano virou estrelinha” ou “Foi viajar” na tentativa de amenizar o sofrimento e articular a compreensão da criança. No entanto, Danilo Montenegro alerta que isso poderá criar expectativas de que a pessoa irá voltar.

“É importante enfatizar que, se conversarmos com a criança de forma sincera e simples, permitindo seu luto, certamente oportunizaremos o seu desenvolvimento de aceitação da perda. A não exposição da verdade poderá levar à quebra da confiança, pois, à medida que a criança for crescendo, perceberá que não era verdade o que contaram para ela”, ressalta.

Entre as formas de abordar a questão da perda e do luto, Danilo fala que os pais ou responsáveis devem tratar com delicadeza e sutileza, contextualizando a realidade. Pode-se explicar com exemplos concretos, respeitando a idade da criança, por meio de uma relação com a vida, por exemplo, como acontece com a planta, que nasce, cresce e depois morre. Assim como, pode-se optar por falar de forma lúdica, para tentar fazer com que elas compreendam melhor.

Dessa forma, o ocultamento da verdade ou a suavização ao falar da morte pode deixar a criança confusa. “À medida que a criança cria fantasias acerca do retorno do ente querido, ela poderá ter pensamentos autodestrutivos, acreditando que, se morrer, poderá se juntar a ele”.

Diante da dúvida se é adequado ou não levar os pequenos para o velório, por exemplo, Danilo Montenegro explica que é aconselhável sim, justamente para que a criança tenha esse primeiro contato com a realidade, mas é preciso respeitar a vontade da criança ao primeiro sinal de interesse que ela apresentar para se retirar. “Dar oportunidade à criança de participar do luto familiar será importante para o entendimento sobre a perda, sendo necessário evitar que ela vivencie os momentos mais impactantes do velório”.

Quando procurar apoio psicológico? De acordo com o psicólogo do Nosso Lar Hospital, o alerta para se procurar um psicólogo é quando acontecem comportamentos de exagero. “Se a criança ou o adolescente apresentar mudanças como exagero de tristeza, exageros de agressividade, de isolamento, episódios de raiva. Nesses casos, é interessante buscar atendimento psicológico para ajudar no suporte desse período de luto”, explica.

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