Um estudo publicado neste ano na revista Nature Reviews Rheumatology propõe uma mudança importante na forma como a artrose inicial do joelho é compreendida e diagnosticada. A revisão científica destaca que pacientes com dor no joelho podem apresentar alterações estruturais identificadas pela ressonância magnética mesmo quando a radiografia ainda é considerada normal.
Segundo os autores Armaghan Mahmoudian e Ida K. Haugen, a artrose em estágio inicial representa uma oportunidade para intervenções capazes de retardar ou modificar a evolução da doença. No entanto, eles alertam que o uso mais sensível da ressonância deve ser equilibrado para evitar diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários.
Para o especialista em cirurgia do joelho Jonatas Brito, doutor em Cirurgia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), a publicação reforça um conceito que vem ganhando espaço na ortopedia moderna: a avaliação do paciente deve ir além da radiografia.
“O raio-X continua sendo um exame importante, mas ele mostra principalmente alterações mais avançadas da artrose. Quando o paciente apresenta dor persistente, limitações nas atividades ou histórico de lesões no joelho, muitas vezes é necessário ampliar a investigação para entender o que realmente está acontecendo na articulação”.
O artigo ressalta que alterações como lesões da cartilagem, degeneração do menisco, inflamação da membrana sinovial, edema ósseo e outras modificações podem estar presentes antes do estreitamento do espaço articular, sinal clássico observado na radiografia.
Dor não deve ser ignorada
Embora os autores enfatizem que nem toda alteração encontrada na ressonância significa necessariamente artrose, eles defendem que sintomas persistentes merecem atenção clínica e avaliação individualizada. Segundo Jonatas Brito, esse é um ponto fundamental para evitar tanto o subdiagnóstico quanto o excesso de tratamentos.
“O exame nunca deve ser interpretado isoladamente. O diagnóstico depende da história clínica, do exame físico e da correlação com os exames de imagem. Nem toda alteração vista na ressonância precisa de cirurgia, mas também não devemos ignorar pacientes que apresentam dor apenas porque o raio-X está normal”.
Menisco e fisioterapia ganham ainda mais importância
Outro aspecto discutido no estudo é que alterações precoces frequentemente envolvem o menisco e outras estruturas fundamentais para a proteção da cartilagem.
Para o médico, esse conhecimento reforça uma tendência da ortopedia baseada em evidências: preservar o menisco sempre que possível e investir em tratamentos capazes de proteger a articulação no longo prazo.
“Hoje sabemos que preservar o menisco sempre que há indicação técnica é uma das estratégias mais importantes para reduzir o risco de artrose futura. Da mesma forma, a fisioterapia tem papel essencial tanto na recuperação das lesões quanto no fortalecimento da musculatura que protege o joelho”.

