Um levantamento da plataforma Orgvue mostrou que mais da metade dos líderes empresariais entrevistados afirma ter cometido erros ao substituir trabalhadores por inteligência artificial, enquanto 55% reconhecem que as demissões motivadas pela tecnologia foram equivocadas. O cenário reflete uma tendência internacional conhecida como “AI boomerang”, marcada pela recontratação de profissionais após a IA não entregar os resultados esperados.
Casos recentes reforçam essa mudança de estratégia. A Ford retomou a contratação de especialistas técnicos depois de constatar que sistemas de inteligência artificial, isoladamente, não alcançavam o nível de qualidade esperado em determinadas operações. A Klarna também voltou a ampliar o atendimento humano após identificar impactos negativos na experiência dos clientes.
Para a advogada especialista em gestão jurídica, Dra. Silvia Letícia, o movimento demonstra que a inteligência artificial deve ser encarada como ferramenta de apoio, e não como substituta da capacidade humana.
“A inteligência artificial trouxe ganhos importantes de produtividade, mas ainda depende da supervisão humana para decisões que exigem análise crítica, contexto, responsabilidade e relacionamento. As empresas que compreenderem essa complementaridade estarão mais preparadas para inovar sem comprometer a qualidade dos seus resultados”, afirma.
Segundo a especialista, a adoção precipitada da tecnologia pode gerar custos ocultos relacionados à revisão de processos, correção de falhas, supervisão constante e impacto na satisfação dos clientes.
“No ambiente jurídico, por exemplo, a IA acelera pesquisas, organização de informações e produção de documentos, mas não substitui a interpretação da legislação, a estratégia processual nem a responsabilidade técnica dos profissionais. O futuro passa pela colaboração entre pessoas e tecnologia”, destaca Silvia Letícia.
Na avaliação da especialista, o avanço da inteligência artificial não reduz a importância dos profissionais qualificados. Pelo contrário, amplia a necessidade de competências como pensamento crítico, capacidade analítica, comunicação e tomada de decisão, características que continuam sendo diferenciais indispensáveis para organizações que buscam resultados sustentáveis.

