Uma vida dedicada à luta pela preservação da Amazônia e à defesa dos povos da floresta. O legado da ambientalista e liderança pública Marina Silva foi celebrado, na noite dessa segunda-feira (15), na Concha Acústica da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), com a entrega do título de Doutora Honoris Causa pela instituição. Estiveram presentes na ocasião integrantes da Administração Superior da UFC, personalidades políticas, familiares e admiradores da hoje deputada federal pelo estado de São Paulo.
A honraria havia sido aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário da UFC em sessão de seis de outubro de 2025 e teve como relator o reitor Custódio Almeida. Na leitura do voto, o dirigente enfatizou o percurso acadêmico e político da acreana Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima – professora, historiadora, ex-senadora da República e ex-ministra do Meio Ambiente.
“A biografia de Marina Silva é forjada pela luta e resistência. (…) Não há como pensar no socioambientalismo – a visão da justiça ambiental que junta defesa do meio ambiente com a defesa dos povos e comunidades tradicionais – sem pensar em Chico Mendes, e inseparavelmente, em Marina Silva”, disse.
Solenidade

Após a entrada do cortejo das autoridades acadêmicas, a cerimônia teve início com a chegada da homenageada ao espaço solene, conduzida à mesa pela secretária de Meio Ambiente da UFC, Aliny Abreu, e pelo pró-reitor de Cultura da universidade, Sandro Gouveia, também natural do Acre e ex-aluno de Marina Silva. Em seguida, a chefe do cerimonial, Cláudia Lordão, leu o currículo da agraciada, e foi feita a aposição das vestes doutorais na deputada, que recebeu o título de Doutora Honoris Causa pelas mãos do reitor.
O rito seguiu com os discursos. A professora Lidriana Pinheiro, diretora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), fez a saudação em nome da UFC à Marina Silva, a quem classificou como “uma das mais importantes vozes da agenda socioambiental do nosso tempo”. E aludindo às contribuições de Marina Silva no campo político complementou: “Ao longo de sua trajetória, a senhora ajudou o País a construir uma compreensão mais ampla do significado de sustentabilidade; uma compreensão que integra natureza, democracia, justiça social e dignidade humana”, afirmou.
Dando prosseguimento às falas, Marina Silva fez os agradecimentos, mencionando o seu vínculo com o Ceará, terra natal de seus pais e avós. “Parte importante da minha memória afetiva e da minha identidade”, pontuou. Destacou ainda aos presentes trechos de sua biografia, marcada pelo enfrentamento a múltiplas adversidades econômicas e sociais, salientado o caráter representativo do título que ali recebia.
“Não me sinto sozinha ao receber o título de Doutora. Na verdade, recebo-o em nome de meu pai, de minha mãe, de minha avó, de meu tio mateiro e xamã, de todos os antepassados, os pioneiros, os antigos, os brabos, os arigós, os pretos e, sobretudo, daqueles que construíram a grande escola do mundo e aprenderam e ensinaram as profundas lições do valor da vida: todos os nossos povos indígenas”, declarou.
O reitor Custódio Almeida discursou em sequência, mencionando o papel de Marina Silva na qualificação da discussão sobre meio-ambiente no país.
“Durante muito tempo, questões ambientais foram tratadas no Brasil e no mundo como temas periféricos, quase acessórios diante dos grandes debates internacionais. Marina ajudou a mudar essa percepção. Sua voz contribuiu para demonstrar que não existe desenvolvimento verdadeiro em um planeta degradado. Que é ingênuo acreditar em prosperidade duradoura em meio ao colapso ambiental. Que não existe justiça social sem a preservação e cuidado com a natureza”, frisou.
A cerimônia encerrou com uma breve fala do presidente do Centro de Treinamento e Desenvolvimento (Cetrede), Dimas Oliveira Costa, para a homenageada, e a apresentação de depoimentos em vídeo de pesquisadores que evidenciaram a relevância de Marina Silva para a pauta ambiental no Brasil.

