A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) poderá receber 121 quilômetros de novas linhas de metrô, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e corredores de Bus Rapid Transit (BRT) até 2066. A proposta integra o Estudo Nacional da Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e prevê investimentos estimados em R$ 21 bilhões.
O levantamento reúne 11 projetos voltados à ampliação do transporte público de alta capacidade. Do total previsto, 75 quilômetros correspondem a corredores de BRT, 24 quilômetros à expansão do Metrofor e 22 quilômetros a novos trechos de VLT.
De acordo com o BNDES, o objetivo é reduzir o tempo de deslocamento e ampliar a oferta de transporte coletivo na Grande Fortaleza. Segundo o gerente de Mobilidade Urbana do banco, Rafael Ferraz, a implementação das propostas poderia diminuir em 22% o tempo gasto pelos passageiros no transporte público em Fortaleza, o maior percentual de redução identificado no estudo entre as cidades analisadas.
Fortaleza e Caucaia concentram as principais intervenções previstas. Na Capital, o estudo propõe a conclusão do trecho subterrâneo da Linha Leste do Metrofor e sua extensão até o bairro Papicu. Também está prevista a implantação de um VLT ligando o Conjunto Ceará à Parangaba.
No sistema de ônibus, o plano prevê a ampliação e requalificação dos corredores de BRT das avenidas Aguanambi e Bezerra de Menezes, além da criação de novos trechos nos percursos Parangaba – Coité e Messejana – Siqueira. Outra proposta é a implantação de um corredor de média capacidade na avenida Washington Soares.
Em Caucaia, o estudo sugere o aumento da oferta de viagens na Linha Oeste do Metrofor e a construção de um corredor de BRT entre a avenida Coronel Correia, no Centro do município, e a avenida Mister Hull, em Fortaleza, com integração ao corredor já existente na avenida Bezerra de Menezes.
As propostas também contemplam Maracanaú, Pacatuba, Itaitinga e Eusébio. Entre as intervenções previstas estão a requalificação da Linha Sul do Metrofor e a extensão do corredor Aguanambi/BR-116 até o Centro de Itaitinga.
Até o momento, as propostas foram apresentadas à Prefeitura de Fortaleza e ao Governo do Ceará, que assinaram, em abril deste ano, um acordo de cooperação técnica com o BNDES para detalhar os projetos e avaliar sua viabilidade econômica e estrutural. Segundo o diretor de Planejamento do banco, Nelson Barbosa, caberá aos gestores públicos definir quais obras serão priorizadas.
“A partir desse acordo de cooperação técnica Estado e Prefeitura podem contratar o BNDES para preparar esse projeto. Vamos pegar o metrô. Pega o metrô e vê quanto custa o investimento, quando fica pronto, qual tem que ser a tarifa, quem vai bancar o investimento, subsídio. A gente fez as sugestões. Das que já não estão em andamento, quais que os governos querem fazer?”, explica.
Do valor total previsto, cerca de R$ 5 bilhões seriam destinados à implantação dos corredores de BRT, incluindo a aquisição de ônibus elétricos e a construção da infraestrutura necessária. Os projetos de metrô e VLT somam aproximadamente R$ 16 bilhões.
Conforme o BNDES, o montante poderá ser distribuído ao longo de vários anos, com investimentos anuais entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. Os demais municípios incluídos no estudo ainda deverão ser consultados em futuras discussões sobre mobilidade urbana na Região Metropolitana de Fortaleza.

