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Conjunto Ferroviário de Camocim (CE) está na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário

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Próximo de completar 50 anos desde que o último trem cruzou o sertão cearense, de Camocim a Sobral, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou o reconhecimento do valor histórico, artístico e cultural do Conjunto Ferroviário de Camocim, no Ceará. Assim, o complexo passa a integrar a Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário, conforme os critérios da Lei nº 11.483/2007 e da Portaria Iphan nº 17/2022. A decisão foi formalizada em 18 de fevereiro.

A homologação abrange o terreno da Esplanada Ferroviária de Camocim, de aproximadamente 107 mil metros quadrados, e suas principais estruturas: a Estação Ferroviária de Camocim, a Casa do Engenheiro, três casas funcionais (do Inspetor, do Agente e do Mestre de Linha), as Oficinas, a Caldeira, o Galpão de Locomotivas, a Residência do Mestre de Oficinas e o Armazém Albuquerque e Cia.

O Iphan destaca a inovação tecnológica e o rigor estético das estruturas como elementos centrais do valor do conjunto. O galpão de locomotivas, por exemplo, utiliza tirante de ferro para sustentar um vão livre de 11 metros, solução que, à época da construção, em 1878, substituiu o convencional pendural de madeira.

História

Foto: Acervo/Iphan
Foto: Acervo/Iphan

A ferrovia chegou a Camocim em 1878, com o início dos trabalhos de engenharia para a construção da linha que ligava Camocim a Sobral. A estação foi inaugurada em 1889, consolidando a cidade como polo comercial e porta de entrada do sertão cearense. O complexo ferro-portuário representou o desenvolvimento urbano, econômico e social da região ao longo de quase um século de operação.

Em 2027, mais precisamente, em 24 de setembro, completa-se 50 anos da última viagem de trem no trecho Camocim-Sobral, que marcou o encerramento das atividades na estação, em 1977.

Valor reconhecido

Com o reconhecimento, o Iphan entende a preservação do Conjunto Ferroviário de Camocim como medida essencial para a salvaguarda da memória e da identidade nacional. A inserção na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário abre caminho para a gestão compartilhada entre o Instituto e o município, com o objetivo de assegurar a proteção dos bens e transmitir esse legado à gerações futuras.

O conjunto é considerado um testemunho do papel das ferrovias no desenvolvimento do território brasileiro num período em que as redes ferroviárias foram o principal meio de transporte de passageiros e mercadorias no país.

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