O Brasil reforça a vigilância contra o sarampo após surtos em outros países das Américas. Até 5 de março de 2026, foram registradas 7.145 infecções fora do país, segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Cenário que, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), exige vigilância reforçada, especialmente em regiões onde a imunização não atingiu níveis suficientes para impedir a circulação do sarampo.
No território brasileiro, a primeira ocorrência do ano foi confirmada em São Paulo: uma bebê de seis meses que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, onde há surto ativo. Em 2025, o país registrou 38 casos da doença, mas, até o momento, não há transmissão sustentada que comprometa o status de área livre do Brasil, certificado reconquistado em 2024.
A queda da vacinação e o caso registrado despertam preocupação com a reintrodução do vírus no país, que já havia interrompido a transmissão endêmica da doença. Além disso, a circulação do sarampo em outros países das Américas aumenta o risco de importação de novos casos, segundo OPAS.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que “o país segue livre da circulação endêmica do sarampo. A pasta informa que em 2026, até o momento, foi confirmado um caso importado em São Paulo. Como resposta, foi realizado bloqueio vacinal na região, com mais de 600 doses aplicadas entre janeiro e fevereiro. O Ministérios diz que também realizou um Dia D de vacinação na capital paulista e intensificou a vacinação contra o sarampo nos estados fronteiriços, além de doar mais de 640 mil doses ao país vizinho. Em 2025, a cobertura vacinal no país foi de 92,54% para a primeira dose e 77,97% para a segunda. Para garantir a vacinação neste ano, a pasta distribuiu mais de 2,7 milhões de doses a todos os estados”, comunica o MS.
Para manter a proteção, o Ministério da Saúde intensifica campanhas de vacinação, principalmente nas regiões de fronteira. O calendário básico do SUS prevê duas doses da vacina contra o sarampo: aos 12 meses, como parte da tríplice viral, e aos 15 meses, na tetraviral. Pessoas de até 59 anos sem comprovação das duas doses devem se imunizar.

O que é o sarampo
O sarampo é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio de gotículas liberadas ao tossir, falar ou espirrar. De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus pode permanecer no ambiente por um período, facilitando a disseminação.
A doença pode atingir pessoas de qualquer idade não vacinadas e, em casos mais graves, levar a complicações como pneumonia, infecções no ouvido e inflamações no cérebro.
Sintomas de sarampo
- Febre alta;
- Tosse persistente;
- Coriza (nariz escorrendo);
- Conjuntivite;
- Manchas vermelhas pelo corpo.
Importância da vacinação
A redução na cobertura vacinal é apontada como um dos principais fatores para o avanço do sarampo nas Américas, de acordo com a OPAS. Sem níveis adequados de imunização, a chamada imunidade coletiva fica comprometida, favorecendo a circulação do vírus.
No Brasil, a vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e é considerada a principal forma de prevenção.

