A capital cearense aparece na 60ª posição entre os 100 maiores municípios do país no Ranking do Saneamento 2026, avançando duas colocações em relação ao ano anterior. O estudo foi publicado pelo Instituto Trata Brasil na última quarta-feira (18). Apesar da melhora, o resultado mantém Fortaleza em um patamar intermediário, distante dos municípios que já se aproximam da universalização dos serviços. Os dados mostram que a cidade ainda enfrenta gargalos importantes.
Os dados mostram que a cidade ainda enfrenta gargalos importantes. O atendimento total de água chega a 81,96%, índice abaixo do ideal estabelecido pelo novo marco legal, que prevê cobertura próxima de 99%. Já a coleta de esgoto atinge 64,23% da população, enquanto o tratamento chega a 62,65%.
Apesar das limitações, o relatório aponta evolução em indicadores ao longo dos últimos anos. Entre 2020 e 2024, Fortaleza ampliou o acesso à água e ao tratamento de esgoto, com crescimento de 7,31 pontos percentuais neste último indicador.
No entanto, a oscilação no abastecimento – que chegou a superar 98% em 2023 e recuou para 81,96% em 2024 – indica instabilidade na base de dados ou desafios na manutenção do serviço.
Baixo Investimento
Entre 2020 e 2024, a capital cearense investiu cerca de R$ 2,2 bilhões em saneamento, com média de R$ 170 por habitante – valor abaixo dos R$ 225 considerados ideais para a universalização dos serviços no país. Segundo o estudo, a média nacional de investimento também está aquém do necessário, o que compromete o cumprimento da meta até 2033.
Outro entrave relevante é a eficiência do sistema. As perdas na distribuição chegam a 48,89%, quase o dobro do limite considerado adequado (25%). O volume de água desperdiçada impacta diretamente a capacidade de expansão do serviço e evidencia falhas na infraestrutura, como vazamentos e ligações irregulares.
Ceará entre os piores
O relatório também aponta a presença de municípios cearenses entre os piores do país. Juazeiro do Norte ocupa a 81ª posição, com índices críticos de coleta (28,64%) e tratamento de esgoto (22,96%). Os dados indicam que os desafios do saneamento no estado vão além da capital e refletem uma realidade regional marcada por desigualdade de acesso e baixo investimento histórico.
Esgoto, desafio nacional
Em nível nacional, o levantamento confirma uma tendência: o abastecimento de água está mais próximo da universalização, enquanto o esgotamento sanitário segue como principal gargalo. A média de atendimento de esgoto nos grandes municípios é de 76,97%, abaixo dos padrões considerados ideais. A situação se reflete em cidades como Fortaleza, onde o avanço depende não apenas da ampliação da rede, mas também da continuidade dos investimentos e da melhoria da eficiência operacional.
Ranking nacional
No cenário nacional, o levantamento destaca as dez cidades mais bem posicionadas entre os 100 maiores municípios do país, considerando indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e eficiência operacional.
Lideram o ranking Campinas e Limeira, seguidas por Niterói, São José do Rio Preto e Franca. Também figuram entre os melhores resultados Aparecida de Goiânia, Goiânia, Santos, Uberaba e Foz do Iguaçu.
Fonte: O Otimista

