O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, foi transferido nesta segunda-feira (16) da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para uma unidade semi-intensiva do Hospital DF Star, em Brasília. A mudança de setor indica evolução no quadro clínico após dias de tratamento intensivo.
Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13). Após ser internado com febre, baixa saturação de oxigênio e sudorese, ele recebeu cuidados intensivos e permanece sob monitoramento constante. Leia a integra em PDF.
A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), em publicação nas redes sociais. Segundo ela, a transferência ocorreu em razão da melhora dos marcadores de infecção apresentados pelo ex-presidente.
Bolsonaro está internado para tratar uma pneumonia bacteriana bilateral, decorrente de um episódio de broncoaspiração. De acordo com boletins médicos, ele apresentou melhora nas últimas 24 horas, com recuperação da função renal e redução parcial dos marcadores inflamatórios, o que indica resposta positiva ao tratamento com antibióticos.
Mesmo com a evolução, o ex-presidente segue sob cuidados médicos, com monitoramento contínuo, suporte clínico e acompanhamento de fisioterapia respiratória e motora.
A unidade semi-intensiva, também conhecida como unidade de cuidados intermediários, é destinada a pacientes que ainda necessitam de atenção constante, mas já não apresentam quadro crítico que justifique permanência na UTI. Até o momento, não há previsão de alta hospitalar.
Internações e procedimentos médicos
O ex‑presidente Jair Bolsonaro tem um histórico de saúde complexo, marcado por múltiplas internações e procedimentos ao longo dos anos, em grande parte relacionados às sequelas do atentado a faca sofrido em setembro de 2018 durante a campanha presidencial.
Desde que foi esfaqueado no abdome em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou por várias cirurgias e internações para lidar com complicações decorrentes daquele ferimento inicial. A primeira intervenção aconteceu no dia do ataque, quando foi submetido a uma cirurgia de emergência para reparar lesões internas. Dias depois, ainda em 2018, ele foi transferido para São Paulo, onde passou por mais uma operação para desobstrução intestinal causada pelas complicações do ferimento.
Em janeiro de 2019, já após assumir a Presidência, Bolsonaro retirou a bolsa de colostomia que havia sido implantada após o atentado, em uma cirurgia que exigiu internação prolongada para recuperação. Mais tarde naquele ano, em setembro de 2019, ele passou por uma cirurgia para correção de hérnia incisional, igualmente relacionada às cicatrizes e alterações pós‑operatórias do ferimento original.
Ao longo dos anos seguintes, ele continuou a enfrentar episódios relacionados ao trato gastrointestinal. Em 2021, foi internado com obstrução intestinal, episódio posteriormente repetido em 2022, ambos tratados com observação médica sem necessidade de cirurgia. Esses problemas são característicos de pacientes que já se submeteram a múltiplas cirurgias abdominais, como no caso de Bolsonaro.
Em setembro de 2023, ele foi submetido a duas intervenções eletivas, incluindo correção de hérnia de hiato e tratamento no septo nasal, procedimentos programados que integram o acompanhamento clínico contínuo de sua saúde.
No início de 2024, Bolsonaro foi internado novamente, desta vez para tratar erisipela, uma infecção bacteriana da pele que exigiu cuidados hospitalares e também envolveu avaliações relacionadas às queixas gastrointestinais recorrentes nesta fase.
Em abril de 2025, o ex‑presidente passou por uma das cirurgias mais complexas desde o atentado: um procedimento de cerca de 12 horas no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal após episódio de obstrução, associada às complicações cirúrgicas prévias. Ele permaneceu hospitalizado por cerca de três semanas antes de receber alta.
Ainda em 2025, em setembro, Bolsonaro foi autorizado a deixar a prisão para realizar uma cirurgia de hérnia inguinal dupla em Brasília, procedimento considerado eletivo, mas importante para sua mobilidade e conforto.
Além dessas intervenções, no final de dezembro de 2025, ele passou por procedimentos adicionais, incluindo bloqueio do nervo frênico para tratar um quadro persistente de soluços, considerado o 14º procedimento médico desde o atentado, entre cirurgias e intervenções menos invasivas.

