Home Saúde Janeiro Roxo: Hanseníase segue em circulação no país e reforça alerta para diagnóstico precoce

Janeiro Roxo: Hanseníase segue em circulação no país e reforça alerta para diagnóstico precoce

6 min read
0
0
134

Mesmo com avanços no diagnóstico e na oferta de tratamento, a hanseníase segue como um desafio relevante de saúde pública no Brasil. A campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização sobre a doença, reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento adequado e do enfrentamento ao estigma ainda associado à condição. Dados oficiais indicam que, entre 2014 e 2023, foram notificados 309.091 casos de hanseníase no país, sendo 80% classificados como casos novos, evidenciando a persistência da transmissão ativa.

Após a queda expressiva nos registros durante os anos mais críticos da pandemia de Covid-19, quando houve redução no acesso aos serviços de saúde, os números voltaram a crescer. Em 2023, a taxa de detecção nacional atingiu 10,68 casos por 100 mil habitantes, índice considerado alto pelo Ministério da Saúde. Embora o Brasil tenha registrado 22.129 novos casos em 2024, uma redução de 2,8% em relação a 2023, o país permanece como o segundo com maior número absoluto de notificações no mundo, atrás apenas da Índia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Ceará, os dados do boletim epidemiológico revelam um ponto de atenção importante. Em 2023, apenas 2,2% dos casos novos foram identificados por meio do exame de contatos, estratégia considerada fundamental para a detecção precoce e a interrupção da cadeia de transmissão. A maior parte dos diagnósticos ainda ocorre por encaminhamento ou demanda espontânea, o que pode indicar que muitos pacientes chegam aos serviços de saúde em fases mais avançadas da doença.

Outro aspecto que preocupa especialistas é a predominância da hanseníase multibacilar, forma que apresenta maior carga bacteriana e potencial de transmissão. Essa classificação representa mais de 80% dos casos no Brasil e cerca de 70% dos registros mundiais. Quando não diagnosticada precocemente, a forma multibacilar está associada a maior risco de comprometimento dos nervos periféricos, podendo resultar em incapacidades físicas e sequelas permanentes.

Segundo o médico Breno Fonseca, dermatologista da Rede Oto, o comprometimento neurológico é um dos principais sinais de alerta da hanseníase e tende a evoluir silenciosamente. “O dano neurológico é progressivo e é bem característico da hanseníase começar com a perda da sensibilidade térmica, ao calor ou ao frio, e evoluir posteriormente para a perda da sensibilidade tátil”, explica. De acordo com o especialista, esse padrão diferencia a doença de outras dermatoses e reforça a importância da avaliação médica diante de manchas na pele associadas à alteração de sensibilidade.

A transmissão da hanseníase ocorre pelo contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, principalmente por vias respiratórias. A prevenção está diretamente ligada ao diagnóstico precoce, início imediato do tratamento e avaliação dos contatos domiciliares. Após o início da medicação, não há necessidade de isolamento social, uma vez que o paciente deixa rapidamente de transmitir a doença.

O tratamento é realizado por meio da poliquimioterapia, combinação de antibióticos disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com duração que varia de seis a doze meses, conforme a forma clínica. “Quando o tratamento é iniciado no momento adequado, é possível interromper a transmissão, evitar sequelas e garantir qualidade de vida ao paciente”, reforça o especialista. A campanha Janeiro Roxo reforça que informação, vigilância e acesso ao cuidado são essenciais para enfrentar uma doença que tem cura, mas ainda exige atenção contínua da sociedade e dos serviços de saúde.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde
Comentários estão fechados.

Verifique também

Sete em cada dez mulheres relatam já terem sofrido assédio, diz estudo

Sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em …