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Método criado por cearense revoluciona medicina, inova em técnica que recupera menisco e previne joelho de desgaste

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A bailarina cearense Mirella Castro, 19 anos, conviveu por mais de sete anos com dores recorrentes e limitações no joelho. A jovem só conseguiu retornar aos palcos com segurança após uma cirurgia bem-sucedida de preservação do menisco, o “amortecedor” do joelho. O procedimento, aliado a um processo cuidadoso de reabilitação, permitiu que a jovem retomasse as apresentações com mais confiança.

A solução veio a partir de um método inovador desenvolvido pelo ortopedista cearense Jonatas Brito, que criou a técnica inédita capaz de restaurar os meniscos. O estudo, feito ao longo do doutorado em Cirurgia na Universidade Federal do Ceará (UFC), já rendeu prêmios nacionais e reconhecimentos científicos fora do país, além de convites para a divulgação da técnica a colegas médicos.

Além de Mirella, diversos pacientes já foram beneficiados pela nova técnica, hoje aplicada em diversos países. A expectativa agora é de que seja incorporada de forma ampla pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e esteja acessível a todos que precisam.

Diagnóstico precoce e cuidado especializado evitam lesões graves

Foto: Luiz Edivam Jr.

Antes da cirurgia, Mirella lembra que os primeiros sintomas surgiram aos 12 anos, quando passou a sentir que o joelho “saía do lugar e voltava” durante os movimentos do balé. Mesmo após diversas consultas e exames de imagem, nenhuma causa era identificada, especialmente pela dificuldade em reconhecer a lesão.

Chamada de “Ramp Lesion”, ela provoca instabilidade no joelho por deixar o menisco completamente solto, e geralmente requer cirurgia para plena recuperação. Por ser difícil de diagnosticar na ressonância magnética, é comum que o quadro evolua ao longo do tempo, agravando a lesão. É justamente esse problema que a técnica desenvolvida pelo médico cearense busca resolver.

“Só tive um diagnóstico definitivo em 2025, quando me lesionei e precisei passar pela cirurgia. Antes disso, fazia exames, ressonâncias, consultava médicos, mas nada era percebido”, relembra.

Segundo o médico Jonatas Brito, responsável pelo caso, situações como a de Mirella exigem escuta atenta e respeito ao tempo do corpo. “Histórias como essa mostram a importância do exame de um especialista experiente. Muitas vezes, especialmente em pessoas jovens e ativas, o joelho dá sinais de que algo não está muito bem antes da lesão ser percebida nos exames de imagem. Quando conseguimos fazer um diagnóstico preciso e conduzir o tratamento com cuidado, o objetivo vai além de corrigir uma lesão ou fazer uma cirurgia. É permitir que a pessoa volte a fazer o que ama com segurança e confiança”, afirma.

Inovação médica que nasce no Nordeste

O médico, que também é professor na Unichristus e UFC, desenvolveu o método de reparo do menisco junto a uma equipe de pesquisadores especialistas na área. Com o caráter inovador, o Ceará ganha força na lista das grandes revoluções médicas, e prova que pesquisa de ponta também é feita nas universidades do Nordeste.

Com o potencial de recuperar o menisco com mais eficiência e segurança, a técnica utiliza menos material cirúrgico, reduz o custo hospitalar, além de aumentar os pontos de fixação, o que garante maior estabilidade e menos chance de evolução para artrose no futuro.

A ausência de respostas ao longo dos anos impactou diretamente a rotina de Mirella, que passou a entrar no palco com medo. “Foi muito ruim e frustrante. Eu vivia com receio de fazer certos movimentos, principalmente dobrar o joelho direito. Sabia que tinha algo errado, mas ninguém conseguia resolver”, conta.

Hoje, a bailarina se prepara para novas apresentações e diz se sentir plenamente recuperada. “Me sinto 100%. Não tenho medo de fazer nenhum movimento. Meu professor diz que estou até mais forte do que antes da cirurgia, e agora posso dançar sem restrição nenhuma. Parece que eu nunca passei por uma cirurgia”, afirma.

A reabilitação incluiu fisioterapia desde as fases iniciais e, posteriormente, um trabalho específico voltado aos movimentos do balé, com fortalecimento muscular, equilíbrio e retomada gradual das atividades, que ocorreu após três meses e meio, respeitando a evolução clínica.

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