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Conecta Vidas: app da Uece fortalece rede de doação e transplante de órgãos

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A Universidade Estadual do Ceará (Uece) lançou o Conecta Vidas, aplicativo desenvolvido a partir de uma pesquisa acadêmica e voltado para criar uma rede ativa de apoio entre profissionais da saúde, pacientes receptores, doadores, familiares e pessoas interessadas em compreender melhor o processo de doação e transplante de órgãos. O aplicativo é o primeiro do mundo a reunir, em um único ambiente, fórum de discussão, apoio emocional, conteúdo educativo e acompanhamento em saúde.

O app é resultado da dissertação de Fernanda Pereira de Souza Martins, que concluiu o Mestrado em Transplantes da Uece, sob orientação da professora e médica Maria Denise Fernandes Carvalho de Andrade. A docente destaca a inovação do projeto: “O app Conecta Vidas constitui o primeiro aplicativo no mundo que traz um fórum de discussão sobre dúvidas de doação de órgãos. Conta com profissionais, com potenciais doadores e receptores, além de familiares”. Segundo ela, a ferramenta “vai ajudar muitas famílias”.

Através de fórum temático e perfis personalizados, o Conecta Vidas oferece um espaço para trocar experiências sobre o processo de doação e transplante, acompanhar conteúdos educativos validados por especialistas, conectar pacientes em busca de orientação ou apoio emocional, promover campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e estimular redes de solidariedade entre famílias que passam por jornadas semelhantes. As pesquisadoras reforçam, em fala conjunta presente no próprio aplicativo, que “nosso objetivo é simples, mas profundo: unir vidas através da informação, da escuta e da empatia. Porque cada história importa. Cada conexão pode salvar uma vida. E cada vida conectada fortalece uma rede que transforma o futuro do transplante no Brasil”.

De acordo com Fernanda Martins, o Conecta Vidas se destaca por integrar, em um único ambiente, apoio emocional, conteúdo educativo e acompanhamento em saúde para pacientes em diferentes fases da jornada do transplante. “Diferente de outros aplicativos de saúde, ele não se limita a dados clínicos, mas oferece conteúdo educativo validado, interação com familiares e profissionais, e recursos de apoio comunitário, todos baseados em evidências científicas. Além disso, foi desenvolvido dentro de uma pesquisa acadêmica orientada na Uece, o que garante credibilidade e compromisso ético”, afirma.

A interação ocorre por meio de comunidades temáticas moderadas por profissionais de saúde cadastrados, que atuam como mediadores e oferecem orientações seguras e educativas. Todos apresentam comprovação de registro em Conselhos Profissionais, e o ambiente segue rigorosamente os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Há também espaços específicos para familiares, que podem trocar informações sobre cuidados, nutrição e aspectos emocionais. Todo o ambiente é monitorado para garantir segurança, privacidade e acolhimento. O aplicativo foi desenvolvido com interface simples, ícones intuitivos e linguagem acessível, pensando em usuários de diferentes perfis, desde profissionais da saúde até potenciais doadores, receptores e familiares.

Lançado em outubro, o Conecta Vidas já vem recebendo elogios dos primeiros usuários. “A recepção tem sido bastante positiva. Os primeiros usuários relataram que o Conecta Vidas tem contribuído para melhorar o entendimento sobre o processo de transplante, além de proporcionar acolhimento e sensação de pertencimento. Muitos destacam o aplicativo como um espaço de informação segura e troca solidária, algo ainda raro nesse contexto”, diz Fernanda.

Fernanda reforça que a ferramenta tem forte potencial educativo e social. “O aplicativo busca desmistificar o processo de doação de órgãos e estimular o diálogo familiar sobre o tema, um dos maiores desafios para aumentar o número de doadores no Brasil. Ao promover informação de qualidade e empatia, o Conecta Vidas ajuda a transformar a percepção pública sobre o transplante, valorizando a vida e a solidariedade”.

Sobre ver sua pesquisa se transformar em um produto disponível à sociedade, a pesquisadora afirma: “É uma realização imensa. Ver uma pesquisa sair do papel e se tornar um instrumento de transformação social é a concretização do propósito da ciência: gerar impacto positivo na vida das pessoas. O Conecta Vidas representa o encontro entre conhecimento, empatia e tecnologia, e reafirma que a universidade pública é um espaço potente de inovação e compromisso humano”.

O Conecta Vidas está disponível na Play Store, com taxa simbólica de R$ 0,99, destinada a atualizações do sistema, novos estudos e ações de extensão universitária. As próximas etapas incluem a incorporação de lembretes de medicação, diário de saúde e integração com profissionais de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Também já existe versão em inglês, e em breve o app estará disponível para iOS.

O estudo contou com o apoio das professoras do Mestrado em Transplantes da Uece, Ivelise Canito Brasil, Paula Frassinetti e Tatiana Bachur, além do Laboratório de Genética Médica (LAGEM/Uece), coordenado pela orientadora Denise Carvalho.

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