A transição do Brasil para uma economia de baixo carbono tem o potencial de criar 7,1 milhões de empregos até 2030 e chegar a 15 milhões de novas vagas até 2050. A projeção é do estudo “Empregos do Futuro no Brasil: Transição Justa para Economias de Baixo Carbono”, lançado nesta quarta-feira pela Agenda Pública em parceria com a Fundação Grupo Volkswagen.
A pesquisa argumenta que a descarbonização não é apenas uma agenda ambiental, mas uma oportunidade de desenvolvimento socioeconômico que pode reestruturar cadeias produtivas e ampliar a mobilidade social. Entre os setores com maior potencial de geração de emprego estão energias renováveis, veículos elétricos, economia circular, bioplásticos, construção sustentável, agricultura regenerativa e tratamento de água e esgoto.
No entanto, o estudo adverte que estes empregos não surgirão automaticamente. A transição exige a modernização das políticas estaduais e municipais de desenvolvimento econômico para evitar que populações vulneráveis e regiões dependentes de atividades poluentes fiquem para trás.
“Modernizar as políticas estaduais e municipais é uma urgência estratégica. A transição para economias de baixo carbono não pode ser conduzida com instrumentos do passado”, afirma Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública e coordenador da pesquisa. “Nossa pesquisa mostra que os municípios mais expostos à descarbonização também podem ser os grandes protagonistas da nova economia — desde que tenham capacidade institucional, acesso a financiamento e políticas de qualificação.”
Um dos focos do estudo está nos jovens, especialmente os negros e periféricos. Dados mostram que 42% dos jovens negros entre 18 e 24 anos estão fora da escola ou do ensino superior, contra 22% dos jovens brancos. Sem políticas específicas, esse grupo pode permanecer à margem dos novos empregos verdes.
“A transição só gerará impacto social se vier acompanhada de investimentos estruturantes. Muitos dos locais com maior potencial de crescimento concentram juventudes fora da escola e baixos níveis de infraestrutura”, complementa Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen.
Para medir a preparação dos municípios, a pesquisa criou o Índice de Capacidade de Transição Sustentável Municipal (ICTSM). O indicador classifica as cidades em perfis como “resiliente”, “emergente”, “em atenção” e “crítico”, considerando fatores como vulnerabilidade socioeconômica (renda, informalidade) e capacidade adaptativa (qualificação da mão de obra, infraestrutura, inovação).
A análise setorial revela realidades distintas:
-Rio de Janeiro: Dependência do petróleo e gás exige diversificação para energia offshore e requalificação.
-São Paulo: Cadeia automotiva coloca o estado na dianteira dos veículos elétricos, mas o risco está na velocidade de adaptação.
-Bahia e Pernambuco: Polos como Camaçari e Suape podem se tornar centros da indústria verde, explorando hidrogênio e química circular.
-Mato Grosso: Forte dependência do agronegócio tradicional mostra a urgência de diversificação, com o grande contingente de jovens como um ativo estratégico.
-Amazônia Oriental (PA e MA): Economia ainda centrada em mineração e celulose, mas com potencial para transição se houver investimento em qualificação e infraestrutura.
O estudo conclui que não há uma solução única e defende pactos territoriais com metas claras, governança participativa e a integração de políticas industriais, ambientais e sociais.
Fonte: Trama Comunicação/Fundação Grupo Volkswagen

