Home Saúde Síndrome metabólica pode aumentar o risco de câncer de mama? cardiologista explica

Síndrome metabólica pode aumentar o risco de câncer de mama? cardiologista explica

6 min read
0
0
1,713

Por trás de doenças aparentemente diferentes, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, existe uma ligação silenciosa, mas perigosa: a síndrome metabólica. A condição, que afeta milhões de brasileiros, é marcada pela combinação de fatores que comprometem o metabolismo e aumentam significativamente o risco de doenças cardiovasculares e, segundo estudos recentes, também pode estar associada ao câncer de mama.

De acordo com a médica cardiologista e especialista em nutrologia, Dra. Lívia Sant’Ana, o alerta é especialmente importante para mulheres acima dos 40 anos, faixa etária em que tanto as alterações metabólicas quanto o câncer de mama se tornam mais prevalentes.

“A síndrome metabólica ocorre quando o paciente apresenta pelo menos três dos seguintes fatores: pressão alta, glicemia elevada, excesso de gordura abdominal, colesterol HDL baixo e triglicerídeos altos. Esse conjunto de alterações provoca um estado inflamatório crônico no organismo, e é justamente essa inflamação constante que pode favorecer o surgimento de doenças como o câncer”, explica a especialista.

A médica ressalta que o excesso de gordura abdominal tem papel determinante nesse processo. “A gordura visceral, que se acumula na região da barriga, não é apenas um reservatório de energia. Ela é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que afetam diretamente o sistema cardiovascular e o equilíbrio hormonal. Esse desequilíbrio pode interferir até na produção e na ação de hormônios como o estrogênio, fator importante na origem de alguns tipos de câncer de mama”, afirma.

A boa notícia é que a síndrome metabólica pode ser detectada precocemente com exames simples. Segundo a Dra. Lívia, check-ups regulares são fundamentais para identificar alterações antes que se transformem em doenças mais graves.

“Exames de sangue de rotina, como glicemia, colesterol total e frações, triglicerídeos, e a aferição da pressão arterial já permitem um diagnóstico inicial. Medidas simples, como observar a circunferência abdominal e o índice de massa corporal, também ajudam a avaliar o risco”, orienta a cardiologista.

O tratamento, de acordo com a especialista, envolve uma abordagem multidisciplinar e foco total em hábitos saudáveis. “A base do tratamento está na mudança do estilo de vida: alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras e proteínas magras; redução do consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados; além da prática regular de atividade física. Em muitos casos, essas medidas já são suficientes para reverter a síndrome metabólica”, reforça.

A médica lembra que, para alguns pacientes, pode ser necessário o uso de medicamentos. “Quando há diagnóstico de hipertensão, diabetes ou dislipidemia, o tratamento medicamentoso é indicado em conjunto com a mudança de hábitos. Mas o mais importante é que o acompanhamento médico seja contínuo e personalizado”, complementa a médica.

Dra. Lívia destaca ainda que controlar a síndrome metabólica não é apenas uma questão de saúde cardiovascular, mas também uma forma de reduzir o risco de outros problemas, incluindo o câncer.

“Hoje já se sabe que o metabolismo desequilibrado e o estado inflamatório sistêmico criam um ambiente propício para mutações celulares. Portanto, cuidar da alimentação, manter o peso adequado e fazer o controle regular dos exames é uma forma concreta de reduzir o risco de câncer de mama e outras doenças crônicas”, conclui.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Saúde
Comentários estão fechados.

Verifique também

Escola Adauto Bezerra celebra aprovação de sete estudantes autistas no Ensino Superior

A Escola de Ensino Médio (EEM) Governador Adauto Bezerra, em Fortaleza, comemora a aprovaç…