O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, permanece entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de AVC, o país registrou mais de 105 mil óbitos pela doença em 2023, considerando os tipos isquêmico e hemorrágico. Mesmo com os avanços da medicina, o fator mais determinante para a sobrevivência continua sendo o tempo de resposta.
De acordo com a neurocirurgiã Dra. Ingra Souza, o atendimento imediato é crucial. “O AVC é uma emergência médica. Cada minuto de atraso pode significar a perda irreversível de milhões de neurônios. O diagnóstico rápido e o início imediato do tratamento fazem toda a diferença entre a recuperação completa e sequelas graves”, afirma.
Tipos e causas
Existem dois tipos principais de AVC. O isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando um coágulo impede a passagem do sangue para o cérebro. Já o hemorrágico acontece quando há o rompimento de um vaso sanguíneo, provocando sangramento dentro do crânio.

Entre os principais fatores de risco estão hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, uso de anticoncepcionais em mulheres fumantes e histórico familiar de doenças vasculares.
“O controle da pressão e do colesterol é essencial. São os maiores vilões silenciosos. Muitas pessoas só descobrem que têm hipertensão após um evento grave”, explica a Dra. Ingra Souza.
A importância da sigla SAMU
Para facilitar o reconhecimento dos sintomas, especialistas utilizam a sigla SAMU, que lembra o serviço de emergência e também os principais sinais do AVC:
S – Sorriso: o rosto fica torto ou assimétrico;
A – Abraço: o paciente não consegue levantar um dos braços;
M – Música: a fala se torna arrastada ou confusa;
U – Urgência: é preciso acionar o socorro imediatamente
“Esses sinais são simples e salvam vidas. Diante de qualquer suspeita, o correto é acionar o SAMU (192) e levar o paciente rapidamente a um hospital preparado para atendimento neurológico”, alerta a especialista.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por tomografia ou ressonância magnética, que identificam o tipo de AVC e orientam o tratamento. No AVC isquêmico, o uso de medicamentos trombolíticos pode dissolver o coágulo e restabelecer o fluxo sanguíneo, desde que aplicado nas primeiras horas após o início dos sintomas. Já no AVC hemorrágico, pode ser necessária uma cirurgia de urgência para conter o sangramento e aliviar a pressão dentro do crânio.
“O tempo é o fator mais importante. As primeiras quatro horas e meia são consideradas a janela terapêutica ideal para reverter o quadro. Após esse período, as chances de sequelas aumentam exponencialmente”, explica a Dra. Ingra Souza.
Prevenção e reabilitação
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de AVC poderiam ser evitados com hábitos saudáveis. Controlar a pressão arterial, manter o peso adequado, praticar atividade física regular, evitar o cigarro e fazer check-ups periódicos estão entre as principais medidas de prevenção.
“A prevenção é o melhor tratamento. O AVC pode deixar sequelas graves, como dificuldades para andar, falar ou se alimentar sozinho. Cuidar da saúde vascular é uma forma de preservar a autonomia e a qualidade de vida”, reforça a neurocirurgiã.
Após o evento, o processo de reabilitação inclui fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, fundamentais para recuperar funções motoras e cognitivas.
Para a Dra. Ingra Souza, a informação é a ferramenta mais poderosa contra o AVC. “O derrame não é um evento imprevisível. É o resultado de fatores que, na maioria das vezes, podem ser controlados. Reconhecer os sintomas, agir rápido e cuidar da saúde cardiovascular é o caminho para salvar vidas e evitar sequelas permanentes”, conclui.

