Home Política Câmara aprova aumento de penas para crimes cometidos por organizações criminosas

Câmara aprova aumento de penas para crimes cometidos por organizações criminosas

6 min read
0
0
1,722

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (21) o Projeto de Lei nº 4500/25, que altera o Código Penal para aumentar as penas aplicadas a crimes praticados por organizações criminosas. Entre as mudanças estão o agravamento das punições para extorsão e o uso de escudos humanos durante ações delituosas. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

No caso do crime de extorsão, a pena passará a variar de oito a 15 anos de prisão, além de multa. A prática ocorre quando integrantes de facções obrigam ou constrangem a população a adquirir bens e serviços, cobram por livre circulação ou exigem vantagens financeiras para o exercício de atividades econômicas ou políticas.

Já no caso do uso de escudo humano, a pena prevista será de seis a 12 anos de reclusão. O agravante dobra caso o crime envolva duas ou mais vítimas ou seja cometido por organização criminosa.

Expansão do crime organizado no Brasil

De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), foram mapeadas 88 organizações criminosas em atividade no país nos últimos três anos. A maior concentração está no Nordeste (46 grupos), seguida das regiões Sul (24), Sudeste (18), Norte (14) e Centro-Oeste (10).

O relator do projeto, deputado Coronel Ulysses (União-AC), destacou que cerca de 61,6 milhões de brasileiros — o equivalente a 26% da população — vivem sob a chamada “governança criminal”, em que facções impõem regras e domínio territorial.

“O projeto é uma resposta à necessidade de instrumentos jurídicos mais eficazes e penas mais severas para conter o avanço da violência e do poder paralelo exercido pelas facções”, afirmou.

Prisão preventiva e coleta de material genético

Na mesma sessão, os deputados aprovaram também o Projeto de Lei nº 226/2024, que trata da conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

A nova regra determina que o juiz deverá avaliar a periculosidade do agente e os riscos à ordem pública, levando em conta fatores como reincidência, uso de violência, premeditação e vínculo com organizações criminosas.

O relator da proposta, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-CE), afirmou que o objetivo é evitar prisões preventivas baseadas apenas em “gravidade abstrata” do crime.

“Queremos reduzir interpretações subjetivas que ampliam injustamente a prisão preventiva. É preciso demonstrar, de forma concreta, a periculosidade e o risco à sociedade”, defendeu.

O texto também prevê a coleta de material biológico para obtenção e armazenamento do perfil genético de pessoas presas em flagrante por crimes graves, como violência sexual ou integração a organizações criminosas armadas.

A coleta deverá ocorrer na audiência de custódia ou em até 10 dias após o flagrante, sendo realizada por agente público capacitado e respeitando os protocolos legais de cadeia de custódia.

Segundo Abi-Ackel, a medida não será aplicada de forma indiscriminada. “A coleta será restrita a crimes de extrema gravidade, com potencial de impacto social elevado. A ideia é equilibrar o uso da tecnologia com a proporcionalidade jurídica”, ressaltou o parlamentar.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Política
Comentários estão fechados.

Verifique também

Mostra Sesc Cariri leva show de Maria Rita para Barbalha

A Mostra Sesc Cariri de Culturas, um dos maiores encontros culturais do País, acontece de …