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Natal inspira artesãs cearenses na criação de peças únicas

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No Ceará, os tradicionais elementos natalinos se unem com materiais e referências típicas do Estado. Guirlandas, presépios e globos ganham forma com tecidos, madeira e técnicas passadas de geração em geração, em uma fusão de inovação e regionalidade.

Foto: Mariana Parente/SPS

As produções começam bem antes de dezembro. Com cores solares e referências locais, a artesã Jacinta Nogueira faz esculturas com fios, tecidos, madeira e sementes. Ela explica que as primeiras peças de Natal foram criadas em julho, mas as ideias surgem bem antes.

“Eu misturo essas duas coisas, o Natal e o regional. Eu não deixo de colocar o dourado, mas eu não faço aquela coisa mais tradicional lação vermelho, verde. Digamos, eu pego galho seco de palmeira, faço árvores de Natal e os Papais Noéis levam essa árvore. Então é o cipó, a madeira, mas um tom dourado solar, que dá o brilho”, explica.

Ao longo do ano, ela trabalha com encomendas de esculturas personalizadas, como enfeites para quartos e presentes de formatura. Para o Natal, a criatividade toma forma e, todos os anos, Jacinta traz um novo tema para a época. Em 2025, a escolha foi galhos de palmeira e capim, que estão moldando anjos e Papais Noéis.

Foto: Mariana Parente/SPS

Em Fortaleza, o período também é celebrado pela artesã Dayana dos Anjos. “Para mim, vender no Natal significa muito mais do que realizar vendas: é entregar afeto em forma de artesanato. Cada peça leva um pouco da minha história e da energia da Maktub Arts, e ver as pessoas presenteando alguém especial com um produto meu é uma grande realização. É como se o meu trabalho fizesse parte da memória afetiva das famílias nessa época tão simbólica”, ressalta.

Entre suas peças estão orixás e mini amigurumis feitos em crochê. Para o Natal, a ideia é trazer “um toque único e afetivo”. Suas produções natalinas já viraram tradição e começam em meados de outubro, quando surgem as primeiras encomendas. “Ainda estou no processo de estudo e criação, mas já sei que alguns clássicos não podem faltar, como as bolinhas de Natal com a Sagrada Família e o presépio em miniatura, que fazem sucesso todos os anos”.

Foto: Mariana Parente/SPS

Ela destaca que os maiores desafios são o tempo de produção, a alta demanda e a necessidade de inovar sem perder a essência da marca. “A CeArt ajuda bastante oferecendo espaços de venda e visibilidade, o que facilita o contato direto com clientes que valorizam o artesanato local. Este ano tive a honra de ser convidada para participar da decoração de Natal da loja da CeArt, o que foi muito especial […] cada espaço é uma oportunidade de mostrar minha arte e conectar com mais pessoas”.

Coordenadora de Desenvolvimento do Artesanato da Secretaria da Proteção Social (SPS), Germana Mourão afirma que o Natal é um dos períodos mais importantes para a comercialização do artesanato, com aumento da procura por presentes e itens exclusivos.

“Para as artesãs, esse momento representa incremento significativo na renda e possibilidade de expandir a clientela. Além disso, fortalece a valorização do artesanato local, já que os consumidores buscam cada vez mais produtos que carreguem identidade, história e originalidade”, explica.

Foto: Mariana Parente/SPS

Para o período, a Central de Artesanato do Ceará (CeArt) oferece orientação aos artesãos sobre tendências, demandas e oportunidades próprias do período natalino, estimulando a criação de peças adaptadas à época. Além disso, dispõe de capacitação e assessoramento para que os artesãos consigam alinhar produção e mercado, com produtos diferenciados e competitivos para esse momento.

As lojas da CeArt também atuam como vitrines privilegiadas para o artesanato cearense. Além do aumento natural do fluxo de clientes, elas destacam a diversidade das peças, que vão desde utilitários a objetos de decoração e presentes únicos. Essa visibilidade, somada à confiança que a marca transmite, amplia o alcance do trabalho e fomenta a geração de renda para os artesãos.

Foto: Mariana Parente/SPS

CeArt

Política pública para valorização do artesão, sua identidade, técnica e comunidade, a Central de Artesanato do Ceará (CeArt) promove a geração de emprego e renda a partir de saberes ancestrais. A Central é coordenada pelo Governo do Estado, através da Secretaria da Proteção Social (SPS), e busca assessorar artesãos e artesãs cearenses em todo o processo produtivo.

Atualmente, são sete lojas em funcionamento: Galeria Mestre Noza (Praça Luiza Távora), Shopping Aldeota, Shopping RioMar Fortaleza, Aeroporto Internacional, Arena Romeirão, Centro Multifuncional de Juazeiro e Shopping Alphaville Barueri (São Paulo).

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