A doação de órgãos é um ato de solidariedade e empatia. Além de salvar vidas, traz conforto às famílias, que encontram alívio ao saber que a perda de um ente querido ajudou outras pessoas a continuar vivendo. Mais do que prolongar a vida, o gesto transforma a despedida em esperança, permitindo que outros possam recomeçar.
Com esse propósito, o Instituto Dr. José Frota (IJF), hospital da Prefeitura de Fortaleza, promoveu, nesta terça-feira (23), o 13º Encontro de Famílias Doadoras de Órgãos. A iniciativa integra as ações do Setembro Verde, mês de conscientização e incentivo à doação de órgãos e tecidos.
O evento reuniu 40 famílias na Casa Barão de Camocim, entre as que autorizaram a doação e pessoas transplantadas. Também participaram profissionais e colaboradores do IJF, que fortalecem a rede de solidariedade em torno desse ato que salva vidas todos os dias.
Esperança renovada
O IJF é referência na assistência a vítimas de traumas de alta complexidade e se destaca por sua contribuição ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Referência nacional
Atualmente, o IJF é responsável por 38% das doações de órgãos disponibilizados para transplantes no Ceará. De janeiro a agosto de 2025, já foram realizadas 108 captações de órgãos e tecidos no hospital. Em 2024, foram 197 procedimentos no ano todo. No mesmo ano, a taxa de aceite familiar foi de 84%, enquanto a média nacional é de 54%.
João Gilberto, superintendente do IJF, reforçou os bons resultados do hospital e afirmou que eventos como o Encontro de Famílias Doadoras auxiliam a aumentar o número de transplantes.
“Eventos como este ajudam a aumentar nossa taxa de efetividade na doação. Hoje, o IJF tem uma taxa de aceitação em torno de 84%, enquanto a média nacional é de cerca de 54%. Isso mostra que nossa equipe está preparada para acolher as famílias, esclarecer dúvidas e oferecer segurança nesse processo”, afirmou.
Aline Alves, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos do IJF, comentou sobre o processo de doação e o trabalho de acolhimento realizado pela instituição para famílias de potenciais doadores após o falecimento.
“O processo começa com a identificação de possíveis doadores nas unidades de terapia intensiva ou nas emergências. Quando a equipe assistencial identifica um paciente neurocrítico e é realizado o diagnóstico de morte encefálica, a comissão de doação passa a acompanhar a família.”
“Nesse momento, nosso trabalho vai além da parte técnica: oferecemos apoio emocional com acolhimento, respeito e empatia. Procuramos esclarecer todas as dúvidas sobre o processo. Após a confirmação da morte encefálica, apresentamos à família a oportunidade da doação. Se houver consentimento, é preenchido o termo de autorização, que é encaminhado à Central de Transplantes. A central, então, seleciona os receptores compatíveis”, reforçou.
A forma mais importante de se tornar doador de órgãos é manifestar o desejo em vida e comunicar à família. Embora seja possível registrar a intenção em documentos pessoais, como carteira de identidade ou CNH, a decisão cabe aos familiares no momento da morte encefálica. Por isso, conversar com eles é fundamental.
Após a confirmação de morte encefálica, órgãos como coração, pulmão, fígado, rins e pâncreas, além de tecidos como córneas, ossos e pele, podem ser doados. A equipe médica realiza exames rigorosos e, em seguida, conversa com a família para obter autorização.

