O preço da carne nos Estados Unidos tem registrado aumentos sucessivos e preocupa consumidores e analistas. Em julho, a carne moída subiu 3,9% e acumula alta de 15,3% nos últimos seis meses, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). O valor médio chegou a US$ 6,34 por libra — o equivalente a cerca de R$ 75 o quilo. Nos últimos dois anos, o salto foi de 23%.
Nos cortes mais valorizados, como os usados em churrascos, a pressão é ainda maior. O preço médio atingiu US$ 11,88 por libra (454 gramas), quase R$ 130 o quilo. Só nos últimos seis meses, a alta foi de 9%. Vale lembrar que cerca de 80% da carne moída consumida no país é destinada à produção de hambúrgueres, item central na dieta americana.
Fatores que explicam a alta
Especialistas apontam dois fatores principais para a escalada de preços: as condições climáticas, que afetam a produção, e a redução do rebanho bovino nos EUA. A situação tende a se agravar com medidas externas. A tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre a carne brasileira, uma das principais fornecedoras do mercado norte-americano, deve reduzir a oferta e pressionar ainda mais os preços.
Na tentativa de compensar a queda das importações brasileiras, países como Argentina e Uruguai podem ampliar sua participação, mas a um custo maior, o que reforça a pressão inflacionária.
Restrição ao gado do México
Outro complicador veio do México. O país foi proibido de exportar gado vivo para os Estados Unidos após a detecção da doença conhecida como New World Screwworm, uma praga que ameaça rebanhos. Essa restrição tende a diminuir ainda mais a oferta no mercado norte-americano.
Perspectivas
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que os preços da carne permanecerão em patamares elevados até pelo menos 2026. Para os consumidores, isso significa custos mais altos no dia a dia, de churrascos a hambúrgueres, em um cenário onde clima, mercado internacional e barreiras sanitárias se combinam para encarecer um dos produtos mais consumidos no país.

