Home Geral Reconhecimento facial e biometria na mira da LGPD: Especialista alerta sobre riscos e brechas na proteção de dados sensíveis

Reconhecimento facial e biometria na mira da LGPD: Especialista alerta sobre riscos e brechas na proteção de dados sensíveis

5 min read
0
0
285

Com o avanço acelerado das tecnologias de reconhecimento facial e biometria, cresce também a preocupação com a forma como empresas e instituições estão armazenando e tratando esse tipo de dado altamente sensível. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica informações biométricas como “dados sensíveis”, exigindo cuidados rigorosos quanto à coleta, ao uso e à guarda dessas informações. No entanto, na prática, o cenário ainda é nebuloso, e abre margem para fraudes e violações de privacidade.

Segundo a Dra. Helena Carvalho, advogada e sócia da Carvalho Advocacia, muitos sistemas implementados por empresas, redes de varejo, instituições financeiras e até órgãos públicos ainda não oferecem clareza sobre onde e por quanto tempo a biometria facial está sendo armazenada, tampouco garantem que o processo respeite os princípios da necessidade, finalidade e segurança previstos na LGPD.

Casos recentes de fraudes com uso indevido de reconhecimento facial, inclusive para abertura de contas bancárias falsas, acenderam o alerta no setor jurídico e entre órgãos reguladores. A preocupação é global. Governos de países como França, Alemanha e Estados Unidos já estudam legislações específicas para delimitar o uso dessas tecnologias, inclusive restringindo sua adoção em espaços públicos, como escolas e centros comerciais.

No Brasil, a ausência de normativas mais específicas leva à judicialização de casos, enquanto empresas buscam se adequar sem clareza técnica ou jurídica. Para a advogada e sócia da Carvalho Advocacia, Dra. Helena Carvalho, o momento exige urgência e responsabilidade:

“A biometria facial é uma das formas mais invasivas de identificação pessoal. Quando usada sem transparência ou consentimento adequado, coloca o cidadão em risco. Não basta ter tecnologia, é preciso ter governança de dados, políticas claras e mecanismos auditáveis. A LGPD exige isso, e a sociedade deve cobrar”, afirma.

Ela reforça ainda que o armazenamento indevido pode gerar multas de até R$ 50 milhões por infração, além de ações judiciais, danos morais coletivos e perda de reputação das empresas envolvidas.

Para a advogada, é necessário que empresas brasileiras invistam não apenas em infraestrutura tecnológica, mas também em educação interna sobre proteção de dados, planos de resposta a incidentes e auditorias regulares de seus bancos biométricos. Apenas assim será possível equilibrar inovação com respeito à privacidade, antes que as falhas se transformem em escândalos de grandes proporções.

Kátia Alves

Editora-chefe do Contexto Notícias é jornalista formada pela Unifanor em 2006, pós-graduada pela Unichristus em MBA em Gerência de Marketing, Assessoria de Comunicação pela Estácio e Língua Portuguesa pela UniAteneu. Foi jornalista da TV Verdes Mares, TV Fortaleza e TV Ceará. Passou pelos site Pirambu News (@pirambunews), Mídia (@somosmidia) e Conexão 085 (@conexao085oficial). Passou pelas assessorias do Instituto Isa Magalhães e Superintendência Federal de Agricultura.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Geral
Comentários estão fechados.

Verifique também

Com Paralamas do Sucesso e Criolo, festival Porão do Rock chega a Fortaleza em agosto

O maior festival de rock independente do Brasil está chegando a Fortaleza. Após quase três…