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Fantoches feitos à mão por atendentes humanizam atendimento infantil nos Vapt Vupts

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Uma ideia simples, nascida da experiência pessoal de uma colaboradora e do desejo de tornar o atendimento mais acolhedor, tem transformado a rotina de crianças que passam pelas unidades do Vapt Vupt, equipamento da Secretaria da Proteção Social (SPS), no Ceará. Fantoches coloridos, feitos à mão, passaram a ser utilizados durante o atendimento infantil para emissão de documentos, especialmente no momento da coleta de foto e biometria, que costuma gerar ansiedade nos pequenos.

A iniciativa começou na unidade da Messejana, em Fortaleza, a partir da experiência da colaboradora Edilvânia Costa. Há mais de 8 anos, ela criava bonecos de feltro e livros pedagógicos para a própria filha, como forma de lazer e criatividade. Ao ingressar no Vapt Vupt, em 2018, percebeu que poderia usar os fantoches para ajudar crianças a se sentirem mais seguras durante o processo de atendimento.

Edilvânia Costa, criadora dos fantoches – Foto: Mariana Parente/SPS

“Eu já fazia fantoches em casa há bastante tempo. Quando comecei a trabalhar no Vapt Vupt, levei alguns bonecos que tinha feito para a minha filha e percebi que eles ajudavam muito a acalmar as crianças”, conta ela.

Para os atendentes que lidam diariamente com o público infantil, a mudança é visível. “Esses fantoches ajudam muito. O atendimento pode ter barulho, movimento, e muitas crianças ficam ansiosas. O boneco distrai, acalma. Às vezes é outro colega que opera o fantoche enquanto a gente coleta os dados. Facilita muito!”, explica Alex Arlisson, do Vapt Vupt do Centro.

Além do impacto no ambiente de trabalho, os fantoches ajudam a tornar mais leve a experiência das famílias. Crianças pequenas, muitas delas em sua primeira emissão de identidade, se mostram mais à vontade com a presença dos bonecos no balcão. A ideia é que, durante a hora da coleta da imagem e das digitais, os bonecos ajudem a prender a atenção dos pequenos e amenizem o medo do ambiente desconhecido.

Gleciane Ferreira e a filha Valentina – Foto: Mariana Parente/SPS

A ação também é percebida pelas famílias. Gleciane Ferreira, mãe da pequena Valentina, aprovou a ideia. “Eu acho interessante, principalmente porque tem criança que não tem muito foco. Com o fantoche, a atenção melhora. Ajuda tanto a criança quanto a gente, que está ali do lado”, afirma.

Maria Rosilda Gomes e sua filha, Lívia – Foto: Mariana Parente/SPS

A surpresa também foi positiva para Maria Rosilda Gomes, mãe da Lívia, de sete anos. “Eu nem sabia que existia esse tipo de atendimento. Na hora da foto, a criança geralmente não quer olhar, fica inquieta. Mas com o boneco foi diferente. Ela gostou, riu, colaborou”, relata. Lívia completou, com um sorriso: “O fantoche me deixou muito alegre. Queria levar pra casa.”

Jamile Castro com o seu filho Daniel – Foto: Mariana Parente/SPS

Jamile Castro levou o filho Daniel, de quatro anos, diagnosticado com autismo, para emitir a Carteira de Identificação Nacional (CIN). Ela conta que estava apreensiva com a reação do filho. “Ele é muito sensível a ambientes movimentados. Mas ficou impressionado quando a atendente apareceu com o boneco. Aquilo capturou a atenção dele. Achei muito bonito esse cuidado”, disse.

“Quando vejo uma criança brincando com o fantoche e relaxando no atendimento, sinto que valeu a pena. Não é só sobre fazer uma identidade. É sobre como essa criança vai lembrar desse momento”, diz Edilvânia.

Foto: Mariana Parente/SPS

Com mais de 50 mil atendimentos mensais, em cada unidade de todo o Estado, o Vapt Vupt tem unidades nos bairros Centro, Messejana, Papicu, Parangaba e Antônio Bezerra, em Fortaleza, além dos municípios de Juazeiro do Norte e Sobral.

A ação dos fantoches já foi replicada em outras unidades, e novas ideias vêm sendo desenvolvidas para tornar o atendimento infantil cada vez mais acolhedor e acessível. Em algumas unidades, há disponível as salas sensoriais para atendimento a pessoas neurodivergentes. A ideia é oferecer um ambiente acolhedor que possibilite a esse público um espaço que contribua para a regulação emocional dos usuários.

Engajamento da equipe

Em 2023, a proposta virou uma oficina dentro da unidade de Messejana, com a participação de todos. A própria equipe criou os seus bonecos, usando feltro. A ação passou a integrar o programa interno de valorização dos talentos, que incentiva os atendentes a compartilharem suas habilidades pessoais com a rotina de trabalho.

Jamilly Jade e Edilvânia Costa – Foto: Mariana Parente/SPS

“A criação dos fantoches conectou um talento individual com uma necessidade real de atendimento. Isso motivou os colaboradores e fez com que a ação se expandisse para outras unidades”, afirma a gerente do Vapt Vupt Messejana, Jamilly Jade.

Segundo ela, o programa de engajamento já promoveu outras atividades com os colaboradores, como oficinas de pintura, aromaterapia, karaokê, meditação e confecção de objetos artesanais. A proposta é criar um ambiente mais integrativo e criativo também entre os profissionais, refletindo diretamente na qualidade do serviço prestado ao cidadão.

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