Em busca de saúde e qualidade de vida, milhares de mulheres recorrem à academia como aliada contra dores, inchaço e ganho de peso. No entanto, para quem sofre de lipedema, doença crônica e progressiva que causa acúmulo anormal de gordura nos braços e pernas, o treino físico mal orientado pode gerar o efeito oposto: agravar os sintomas e comprometer o tratamento.
“O lipedema não é causado por sedentarismo ou excesso alimentar. É uma condição inflamatória com forte componente genético e hormonal. Forçar o corpo com exercícios inadequados pode desencadear crises dolorosas, aumento do edema e até lesões articulares”, explica a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas e referência no atendimento clínico a mulheres com lipedema.
Treino errado pode piorar dor, inchaço e inflamação

Segundo a especialista, a prática intensa de atividades como musculação com sobrecarga, exercícios de impacto repetitivo e aulas que exigem permanência prolongada em pé são potencialmente prejudiciais.
“Muitas pacientes chegam ao consultório relatando piora significativa após iniciaram uma rotina intensa de treinos, acreditando que iriam resolver o inchaço com academia. O resultado foi mais dor, mais desconforto e frustração com o próprio corpo.”
O alerta é sustentado por estudos recentes. Um artigo publicado na Journal of Lymphatic Research and Biology (2022) destaca que exercícios de alto impacto, sem acompanhamento clínico, aumentam o risco de microtraumas em tecidos adiposos inflamados, o que pode acelerar o avanço do lipedema em alguns estágios.
Atividade física sim, mas com orientação
A Dra. Mariana reforça que o movimento é fundamental no controle do lipedema, desde que inserido de forma gradual, segura e estratégica.
“O ideal é iniciar com atividades de baixo impacto, como caminhada orientada ou com inclinação, hidroterapia, pilates clínico, fortalecimento guiado e técnicas específicas de fisioterapia funcional. Esses recursos ajudam na drenagem linfática natural, na estabilização das articulações e ganho de força muscular com segurança, além do controle da dor.”
Apesar de afetar cerca de 18% das mulheres no mundo, o lipedema segue subdiagnosticado e muitas vezes confundido com obesidade ou má circulação. A falta de informação contribui para o agravamento dos quadros e reforça abordagens inadequadas inclusive em ambientes de academia e estética.
“O lipedema precisa ser tratado como uma condição clínica. É urgente treinar profissionais da saúde e orientar as pacientes sobre o que realmente ajuda ou prejudica. Nem tudo que parece saudável de fora, como o treino pesado, será benéfico para um corpo com lipedema”, conclui a Dra. Mariana.

