O Ceará deve ter chuvas em torno da sua média histórica para os meses de fevereiro, março e abril, os três primeiros da quadra chuvosa. Conforme prognóstico divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nesta quarta-feira (22), o Estado possui 45% de chances de chuvas dentro da média no período. O prognóstico indica ainda 35% de probabilidade de chuvas abaixo da média, e 20%, acima da média histórica.
Segundo o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Rodrigues, os estudos apontam maior possibilidade de precipitações na média ou acima da média na região norte do Ceará. Já do centro-sul ao sul do Estado, são esperadas “anomalias negativas”, ou seja, maior probabilidade de chuvas abaixo da média.
Ainda de acordo com o presidente da Fundação, o principal fator para o prognóstico foi o aquecimento do Atlântico Tropical.
“Percebemos que tem um aquecimento na Zona Equatorial do Atlântico, mas também no Atlântico Norte. Isso levou como categoria mais provável para o Centro-Norte do estado a probabilidade normal ou acima da normalidade, e a categoria abaixo da normalidade no Centro-Sul, já que o aquecimento é Equatorial e Centro-Norte Tropical”.
O estudo leva em consideração os campos atmosféricos e oceânicos, além dos resultados de modelos globais e regionais e de modelos estatísticos de diversas instituições de Meteorologia do Brasil, incluindo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
“Para chegar a este resultado, o principal fator foi o aquecimento do Atlântico Tropical. E aí nós percebemos que tem um aquecimento na zona equatorial do Atlântico, mas também no Atlântico Norte. A categoria abaixo da normalidade no centro-sul leva em consideração o aquecimento do equatorial e atlântico norte tropical”, explica o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins.
O prognóstico faz referência à tendência média do volume das chuvas no acumulado de todo o trimestre, e não dos três meses de forma separada. O “normal” para a precipitação de cada região do Estado se baseia na média histórica de 1981 a 2010. Confira os limites mínimos e máximos da média das chuvas por região:
- Cariri: 482,7 mm a 623,8 mm;
- Ibiapaba: 503,1 mm a 600,8 mm;
- Jaguaribana: 402,1 mm a 576,0 mm;
- Litoral de Fortaleza: 560,8 mm a 782,6 mm;
- Litoral de Pecém: 477,2 mm a 654,1 mm;
- Litoral Norte: 550,4 mm a 774,3 mm;
- Maciço de Baturité: 470,3 mm a 613,8 mm;
- Sertão Central e Inhamuns: 362,4 mm a 505,4 mm;
- Ceará (total): 439,4 mm a 597,6 mm.
Como ressaltou a Funceme, no próximo mês de fevereiro vai ser divulgado um novo prognóstico climático, para os meses de março, abril e maio, abrangendo, assim, o restante da quadra chuvosa.
Pré-Estação
No balanço parcial da Pré-Estação, as precipitações entre dezembro e janeiro encontram-se acima da normalidade. Até esta quarta, o balanço indica que o acumulado é de 177,9 milímetros, sendo a média é de 136,1 mm.
É importante lembrar que as chuvas deste período não tem relação ainda com a quadra chuvosa, pois os sistemas que atuam neste momento são particulares da Pré-Estação.
“Antes do dia 15, nós estávamos com cerca de 70% abaixo da média para o mês de janeiro. Em um único dia, no dia 15, nós tivemos um evento que resultou em 62,2 milímetros de média para todo o estado do Ceará. Isso levou o estado do Ceará, o acumulado de chuvas para janeiro, para cerca de 13, 14% acima da média do mês, que é em torno de 98 milímetros”, explica Martins.
Cenário hídrico
Em relação aos reservatórios, o Ceará apresenta seis açudes sangrando e três acima de 90% da sua capacidade. “Os 157 açudes gerenciados pela Cogerh se encontram hoje em situação muito boa, com mais de 43% da capacidade máxima. Nos últimos 30 anos, o início de quadra chuvosa com essa situação favorável só ocorreu sete ou oito vezes. Lógico que isso varia de região para região, como a dos Sertões de Crateús, a única com volume abaixo de 20% de reservas, o que nos preocupa”, analisou o presidente da Companhia de Gestão ed Recursos Hídricos (Cogerh), Yuri Castro.
Com um prognóstico de longo prazo, é importante que a população observe, diariamente, as previsões de tempo, assim como o sistema de previsão o sub-sazonal, que vai de 7 a 44 dias. A Funceme reforça que o sistema de tempo é o mais apropriado para olhar esses eventos de precipitação máxima.
“É importante a gente estar sempre atento tanto usando instrumentos de monitoramento como sistema de previsão de curto prazo para mobilizar as equipes da Defesa Civil, tanto estadual como municipal. E esse é o esforço que a Funceme está fazendo junto aos demais órgãos para exatamente prover as informações necessárias para o setor de resposta e eventualmente ajudar na preparação e mitigação dos impactos”, diz o presidente da Funceme.
Por fim, o secretário executivo dos Recursos Hídricos, Ramon Rodrigues, salienta a necessidade de precipitações mais expressivas em áreas que, climatologicamente, são mais secas.
‘’Temos um cenário otimista para este ano e esperamos que regiões vulneráveis, como Cratéus, possam ter recargas melhores, assim como nossos grandes reservatórios, para continuarmos atendendo às demandas de abastecimento. Também é importante lembrar que precisamos da colaboração da população no cadastramento dos seus barramentos, para evitar grandes emergências com o rompimento destes’’, finaliza.

