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Hospital São José oferece assistência multidisciplinar a pacientes com a doença

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Em janeiro de 2019, o chefe de cozinha André [nome fictício], 43 anos, notou um pequeno caroço no pescoço, que passou a chamar atenção devido ao crescimento rápido. Após buscar ajuda médica, ele recebeu o diagnóstico de tuberculose (TB) ganglionar e foi encaminhado para o Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) que presta assistência a pacientes com tuberculose de maior complexidade.

“Eu tive um pouco de resistência em aceitar esse tipo de doença e, por isso, demorei a aderir ao tratamento. Fiquei bem debilitado. Tinha febre alta, de quase 40 graus, sentia muita dor o tempo todo. A perda de peso foi muito rápida: em março, eu pesava 87 kg e, em maio, me internei com 33 kg”, conta André, que passou 27 dias internado no HSJ.

Segundo a infectologista do HSJ, Liliane Granjeiro, a pessoa com tosse persistente por mais de três semanas associada a febre, calafrios e perda de peso sem motivo aparente deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima. “O exame é simples e o tratamento é simples. Quanto mais rápido você procurar atendimento, mais rápido você vai começar o tratamento e deixar de transmitir a doença”, enfatiza. O tratamento completo dura seis meses e, cerca de 15 dias após o início das medicações, o risco de contágio é bastante reduzido.

A doença é transmitida pela inalação de aerossóis expelidos por tosse, fala ou espirro da pessoa infectada, por isso é necessário investigar se os familiares do paciente também têm a doença. “Quem mora com a pessoa diagnosticada com TB tem que investigar uma coisa chamada tuberculose latente, que é você ter a bactéria e não ter sintoma, porque você pode tratá-la antes de desenvolver os sintomas”, orienta o infectologista do HSJ, Bruno Pinheiro.

Cuidado multiprofissional

Nutrição tem papel fundamental no processo de cura da tuberculose; suplementação auxilia na recuperação do peso perdido em razão da doença – Foto: Bárbara Danthéias/Assessoria de Comunicação do HSJ

O Hospital São José possui ambulatório, emergência 24h e 16 leitos de internação para pacientes com tuberculose, sendo quatro deles para isolamento daqueles com resistência aos medicamentos do esquema básico do tratamento. O paciente chega à unidade via regulação, encaminhado por outras unidades de saúde; caso apresente quadro grave da doença, ele também pode buscar a Emergência do HSJ, onde será avaliada a necessidade ou não de internação.

Durante a internação, o paciente é acompanhado por equipe multidisciplinar. “Aqui é muito importante a questão da alimentação: nós recebemos pacientes que não andam só pela desnutrição proteica. Também temos dois psiquiatras que abordam a questão da dependência química. O Serviço Social busca traçar o perfil social do paciente; se ele estiver em situação de rua, é feito o contato com a família para verificar se ela tem condições de recebê-lo, para que ele tenha condições de continuar o tratamento. É toda uma equipe multiprofissional que faz parte desse processo de cura”, destaca Granjeiro.

No pós-alta, o paciente pode contar ainda com os atendimentos da equipe do Programa de Assistência Domiciliar (PAD), formada por assistente social, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudióloga, médico, nutricionista, técnico em Enfermagem, motorista e apoio administrativo.

“Para ser acompanhado pelo PAD, o paciente com tuberculose deve apresentar quadro estável, não fazer uso de oxigênio e ter um cuidador — ele não pode morar sozinho”, informa a fisioterapeuta do HSJ e coordenadora do PAD, Lea Queiroz. O serviço proporciona, entre outros cuidados, adesão ao tratamento medicamentoso, orientação nutricional e reabilitação pulmonar.

Ambulatório de Tuberculose do HSJ atende, em média, 120 pacientes por mês; serviço funciona às sextas-feiras pela manhã – Foto: Bárbara Danthéias/Assessoria de Comunicação do HSJ

O Ambulatório de Tuberculose do HSJ acompanha não só pacientes que tiveram alta da enfermaria, como também aqueles com coinfecção por HIV (quando a pessoa tem HIV e tuberculose ao mesmo tempo), TB extrapulmonar (que acomete outros órgãos que não o pulmão) e TB multirresistente (quando o paciente não responde ao esquema básico de tratamento). Por mês, são atendidas cerca de 120 pessoas. O serviço funciona às sextas-feiras, das 7h30 às 12h30 e possui equipe composta por três médicos, além de enfermeira, psicóloga e assistente social.

Assistência farmacêutica

O HSJ e o Hospital de Messejana (HM) integram o Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose (Site-TB), ferramenta de vigilância dos casos com indicação do esquema especial de TB — quando o paciente possui comorbidades, reações adversas ou resistência aos medicamentos do esquema básico. Além disso, o sistema também possibilita o acompanhamento das consultas e das retiradas de medicamentos, visando garantir a adesão ao tratamento.

“Se o paciente deve vir a cada 40 dias para retirar a medicação e não vem, aquele espaço de tempo que ele deixa de vir eu já coloco como falha na adesão. E essa falha não pode ser acima de 30 dias, porque isso significa abandono para o sistema e, nesse caso, o paciente teria que recomeçar o tratamento”, salienta Gardênia Monteiro, farmacêutica hospitalar do HSJ. Quando há falha na adesão, a equipe entra em contato com o paciente para saber suas principais dificuldades e ajudá-lo a prosseguir com o tratamento.

Gardênia Monteiro, farmacêutica hospitalar do HSJ, acompanha os casos com indicação de esquema especial para tratamento da tuberculose – Foto: Bárbara Danthéias/Assessoria de Comunicação do HSJ

Tuberculose tem cura

A tuberculose tem cura e, para alcançá-la, é imprescindível fazer o tratamento de forma adequada e não interrompê-lo antes do final. No caso de André, a demora para iniciar as medicações acabou levando a doença a atingir outros órgãos do corpo. De 2019 para cá, ele enfrentou duas recidivas, mas agora, felizmente, já vislumbra a proximidade da alta.

“Após a segunda recidiva, a equipe médica do Hospital São José — os anjos da minha vida, como eu os chamo, pois tenho muito carinho, respeito e admiração pelo trabalho deles — prescreveu uma nova medicação que eu tô há pouco mais de um ano tomando e aí, sim, de lá pra cá, graças a Deus, foi só melhora. Agora, recentemente, a gente tá tentando ver a possibilidade de uma alta, porque as melhoras são muito boas, o quadro é muito interessante”, comemora.

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