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Cirurgias de amígdala e adenoide melhoram qualidade de vida de pacientes infantis neurodivergentes no Helv

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A busca pela melhoria da qualidade de vida de crianças neurodivergentes frequentemente envolve uma abordagem multidisciplinar e, em alguns casos, é necessário realizar intervenções cirúrgicas. As cirurgias otorrinolaringológicas melhoraram não só sintomas como roncos e falta de ar, mas auxiliaram também o desenvolvimento cognitivo e emocional dos pacientes.

O termo neurodivergente diz respeito a uma condição em que o funcionamento cerebral é diferente do que é considerado típico, abrangendo pessoas com condições como autismo, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, síndrome de Down, entre outros.

Foi o caso do menino Nilton Lira, 6 anos, proveniente de Quiterianópolis, a 400 km da capital cearense, e de Samuel Almeida, 15 anos, que mora em Fortaleza. Ambos passaram por cirurgia de amígdala e adenoide no Hospital Estadual Leonardo Da Vinci, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Operado no último dia 15 de maio, Samuel tinha episódios de roncos intensos e crises de amigdalite frequentes que o faziam ir ao hospital. “A qualidade de vida dele era bem ruim por causa dessas crises. Ele passava um mês no hospital e um mês em casa. 24 horas cuidando dele. Nossa rotina era essa”, explica Marciana Almeida, 43 anos, mãe do adolescente com síndrome de Down.

Já o menino Nilton, antes de ser operado em novembro de 2023, tinha episódios frequentes de falta de ar durante o sono por conta da adenoide aumentada. Também não conseguia se comunicar verbalmente, apenas por gestos, o que fez ser acrescido ao diagnóstico de autista, a característica de não-verbal.

A mãe Francielle e a avó Antônia ficaram emocionadas com as primeiras palavrinhas de Nilton – Foto: Arquivo Pessoal

A coordenadora médica do serviço de otorrinolaringologia do Helv, Débora Lima, explica que uma consequência das repetidas crises e do aumento das amígdalas e adenoide é a apneia obstrutiva do sono.

“A apneia pode ter vários impactos para a qualidade de vida da criança. O sono não é reparador e impede a produção de substâncias, como alguns hormônios, que só ocorrem durante o sono e que são importantes para o crescimento da criança e para que ela mantenha a atenção durante o dia”, explica a médica.

Débora Lima explica ainda que a adenoide pode também levar a uma perda de audição pelo desenvolvimento de uma otite secretora.

“Essa perda auditiva, apesar de ser temporária, para uma criança que está aprendendo a falar é muito prejudicial. É crucial que ela tenha uma audição íntegra para que ela consiga se comunicar, consiga falar, consiga aprender”, pontua a otorrinolaringologista.

As cirurgias não apenas tratam os sintomas físicos, mas também oferecem condições para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças neurodivergentes. Segundo a médica, a correção dos problemas auditivos melhoram a comunicação, a interação social, foco e atenção, além do bem-estar emocional.

“As crianças podem apresentar menos comportamentos de estresse e ansiedade, melhorando seu bem-estar geral”, afirma Lima.

Qualidade de vida

Para o garoto Nilton, a cirurgia, além de melhorar a qualidade de vida, possibilitou uma nova forma de comunicação. As primeiras palavrinhas proferidas pelo menino emocionaram toda a família.

“Hoje eu tô realizada. Agora ele já está falando várias palavras. ‘Aqui’ é a coisa que ele mais diz”, explica a avó Antônia Morais, 53 anos. A agricultora relata que a cirurgia do neto era um sonho que ela ainda não tinha realizado. Aprender também tem sido uma alegria para Nilton. Quando perguntado sobre o que mais gosta de fazer, ele responde ao seu jeito: “Cola”, referindo-se à escola.

Marciana Almeida, mãe de Samuel, diz que, com a realização da cirurgia, a expectativa é que o garoto possa melhorar ainda mais. “Graças a Deus o primeiro passo já foi vencido”, disse Marciana.

Acompanhamento com otorrinolaringologista deve acontecer ainda na infância – Foto: Isabelle Azevedo/Ascom Helv

A médica Débora Lima relata que, para crianças neurodivergentes, é importante um acompanhamento desde cedo com um otorrinolaringologista.

“É preciso avaliar se a questão que existe é só por ser neurodivergente ou se é uma condição auditiva associada que podemos estar corrigindo desde cedo para melhorar o desenvolvimento da criança”, pontua a coordenadora médica do serviço de otorrinolaringologia do Helv.

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