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Banho de sol proporciona bem-estar a mães e bebês prematuros internados

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“Sou muito grata por estar aqui. Minha filha e eu já vivenciamos muitas dores. É um presente poder estar com minha filha e ainda contemplar o pôr do sol, sentir o vento”, diz Raquel Honorato, de 25 anos, internada há quase quatro meses no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) devido a complicações durante o período gestacional. A mãe da pequena Estela é uma das mulheres que participam do projeto Banho de Sol, que visa proporcionar conforto e bem-estar fora do ambiente hospitalar.

A iniciativa da ação é da equipe multidisciplinar da Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (Ucinca), ligada ao serviço de Neonatologia do hospital, equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

A unidade Canguru, como é popularmente conhecida a Ucinca, proporciona às mães o contato direto pele a pele com o recém-nascido e, embora seja revigorante, o tempo de internação, geralmente de duas a quatro semanas, pode gerar tristeza e preocupações pela separação de casa, além da ansiedade devido às responsabilidades vividas sozinhas, longe dos familiares.

“As crianças e mães que estão na Ucinca já vivenciaram outras dores e dificuldades e muitas restrições. São crianças prematuras, com baixo peso e vindas de internação na UTI Neonatal”, explica Liege Gross, terapeuta ocupacional do serviço no HGF. Todos os recém-nascidos passam por avaliação até serem considerados aptos para o Método Canguru.

Na Ucinca, as mães ficam em contato com os bebês 24h e participam ativamente dos cuidados com o recém-nascido. “Com o Método Canguru, nós já amenizamos alguns danos causados pelas restrições da estadia no hospital, como o estímulo ao vínculo e ao aleitamento materno”, explica a terapeuta ocupacional. “O contato direto favorece também o desenvolvimento do recém-nascido de baixo peso e gera confiança nos cuidados com os filhos”, complementa.

Raquel está na Ucinca há uma semana. “Sou muito grata por estar aqui. Eu e minha filha já vivenciamos muitas dores, tive medo de perdê-la e poder estar junto dela é o maior presente que já recebi na vida. Tive muito medo de não conseguir viver isso”, emociona-se ao falar.

A mãe da pequena Estela teve prolapso de cordão umbilical (quando o corpo do bebê pressiona o cordão e pode cortar o seu suprimento de sangue) e precisou ser internada às pressas. “Fomos salvas por estarmos no HGF. Foi pelos cuidados da equipe que minha filha ficou segura”, diz. Estela nasceu no dia 2 de dezembro.

Depois de tanta dor, Raquel tem ainda a oportunidade de participar do projeto Banho de Sol. “A gente está vivendo há quase quatro meses em um ambiente fechado, um ambiente ao redor de máquinas e barulhento por causa dos monitores. Eu não podia estar ao lado da minha filha, e hoje a Unidade Canguru me proporciona isso e ainda poder contemplar o pôr do sol, sentir o vento… Isso me faz muito feliz”, ressalta.

Banho de sol

O cuidado com o bem-estar da mãe foi o que motivou o projeto. “A mãe é privada de sono, oferece a mama de três em três horas, às vezes até de duas em duas, e não é fácil. Há a tensão para que a criança não perca peso, que se desenvolva, e sem o apoio daqueles que a amam, com ruídos hospitalares tão diferentes da sua vida cotidiana. O sol é um resgaste da vida que elas têm e para a qual desejam voltar”, explicita Gross.

“Tem sido muito prazeroso e animador ver que é possível mudar, mesmo que por pouco tempo, a vida dessas famílias. Elas se arrumam pra viver o momento, é realmente um resgate de vida. Tiramos fotos para que elas passem pra família, abrimos uma roda de conversa e tempo para escuta. É lindo”, diz Liege.

Unidade Canguru

A Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (Ucinca) possui cinco leitos. Para ficar no serviço, mães e bebês são avaliados. “Os bebês precisam estar clinicamente estáveis, sem precisar de suporte de oxigênio, hidratação venosa ou em uso de antibiótico. O peso também influencia, os bebês precisam ter pelo menos 1.250kg”, explica a médica da unidade Canguru, Izabel Cristina Rebouças.

As mães também são avaliadas pelos serviços de Psicologia e Serviço Social. “É uma nova rotina, com atenção totalmente voltada para a criança. Conversar com a mãe, avaliar se está estável clínica e emocionalmente garante que a atenção humanizada, que é objetivo do projeto seja cumprida”, esclarece.

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