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Polícia Civil do Ceará investigará vereador por fala sobre curar autismo na “chibata”

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A Polícia Civil do Ceará vai abrir um procedimento para investigar as falas do vereador Eúde Lucas, 57 anos, presidente da Câmara Municipal de Jucás, no interior do Ceará, sobre pessoas com autismo. Em discurso no plenário da Casa, Eúde citou que perdeu o autismo “na peia” ou “na chibata”.

Segundo a Delegacia Municipal de Jucás, a análise das falas do vereador vai embasar o inquérito policial, que deve apurar se o parlamentar cometeu o crime de discriminação contra pessoa com deficiência, como previsto no artigo 88 da lei 15.146/15.

Eúde fez a declaração na última quarta-feira (20), durante sessão online em transmissão na Câmara Municipal de Jucás, no interior do Ceará. Não só parlamentares de outras legendas como também alguns de seus próprios correligionários repudiaram a fala, inclusive, pedindo expulsão do partido.

“Pela declaração que os artistas, os autores, sei lá, tá rondando. Eu digo que eu acho que eu era autista, só que o meu pai tirou o autista na peia. No meu tempo tirava o autista era na chibata. Porque eu era um menino meio traquino”, disse Eúde em sessão na Câmara Municipal.

O deputado federal Leo Prates, do PDT-BA, disse que as falas do seu correligionário não podem ser aceitas. “É lamentável que uma pessoa eleita para representar a população, utilize sua fala para despejar preconceito, demonstrando total desconhecimento de uma condição que afeta milhões de pessoas”, escreveu nas redes.

‘Decidimos solicitar a exclusão de Eúde Lucas, do PDT. Acreditamos que o posicionamento não coaduna com o que preconizam as bases do nosso partido”, informou o parlamentar baiano.

As cobranças por punição às falas do vereador cearense ultrapassam as correntes pedetistas, a deputada federal Dayany Bittencourt (UNIÃO-CE), defensora da causa, disse lamentar “muito a desinformação que leva um ser humano a falar tamanho absurdo”.

“É triste saber que uma pessoa na posição que este senhor ocupa, falar que ‘autismo se cura na peia’. Nós que tanto lutamos pela inclusão de verdade, precisamos, todos os dias, lidar com o preconceito, a falta de acessibilidade e diversos percalços, por isso, pessoas públicas, que foram eleitas pelo povo e ocupam posições a fim de representá-los, deviam dar exemplo”, declarou.

A parlamentar informou ainda que já protocolou, na Câmara dos Deputados, “uma moção de repúdio a esta fala descabida”.

Após a repercussão negativa, Eúde divulgou nota de esclarecimento nas redes sociais sobre a fala polêmica. Eúde afirmou que o trecho foi cortado e publicado fora do contexto. Ele também se desculpou pela infelicidade na declaração.

“Peço desculpa para alguns pais e mães de autistas que se sentiram ofendidos. Então eu quero aqui pedir perdão se me expressei mal, aos pais e aos amigos e as pessoas que tem autista na família, de ter me expressado mal nesse momento”.

“E mais uma vez eu me reporto aqui pedindo perdão, pedindo desculpa, se a mal interpretação, o que fizeram com minha fala causei algum transtorno, algum mal a alguma família, a alguma pessoa”, esclareceu.

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