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Saúde mental dos colaboradores deve ser pauta das empresas

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Empreendedorismo, inovação, ESG, startups e liderança são conceitos cada vez mais perseguidos por empresas de todos os portes. E são palavras do dia a dia de Deivison Pedroza, 50 anos, empresário, palestrante e integrante ativo do BR Angels. Hoje, é reconhecido como uma das principais referências desses temas.

Atualmente é investidor em 11 startups, entre elas a Way Minder, da qual é CEO e cofundador. O objetivo desta startup, explica Pedroza, é oferecer soluções personalizadas direcionadas aos cuidados de saúde mental, emocional, bem-estar e desenvolvimento da inteligência emocional por meio da tecnologia e inteligência artificial.

Como escritor, possui seis livros publicados. Um deles, “Sobre Bicicletas e Sucesso”, conta sua história de vida em detalhes. Já o “Lidere-se sem mimimi”, explica, a partir de seus erros e acertos, como líderes, liderados, gestores e empreendedores podem fazer a sua autogestão e auto liderança e alcançar a alta performance.

Empresas & Negócios – A saúde mental e o bem-estar emocional do indivíduo no ambiente de trabalho estão na ordem do dia das empresas?

Deivison Pedroza – Precisam estar. A saúde mental e o bem-estar emocional dos trabalhadores começam a se tornar uma prioridade nas empresas. Até por que o burnout já é considerado uma doença ocupacional pela OMS. Há várias razões para essa priorização. Por exemplo, estudos têm cada vez mais mostrado que o bem-estar emocional de um funcionário influencia diretamente sua produtividade, criatividade e comprometimento com a organização.

Além disso, é fato que problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. Isso representa um custo significativo, tanto em termos financeiros quanto em capital humano para as empresas. As organizações também estão cada vez mais se conscientizando de que uma cultura organizacional que promove o bem-estar mental atrai e retém talentos, pois os profissionais buscam ambientes de trabalho que se preocupem com sua saúde integral.

Por isso, em diversos Países, inclusive no Brasil, as legislações trabalhistas estão se adaptando para reconhecer a saúde mental como uma questão crítica, impulsionando as empresas a tomar medidas preventivas e corretivas.

Foto: Reprodução

E&N – A que se deve o alto índice de burnout entre os trabalhadores brasileiros e o que revela a pesquisa realizada pela Way Minder?

Pedroza – Na verdade, é uma combinação de fatores que contribuem para o alto índice de burnout no Brasil. Entre eles, cito: Jornadas de trabalho extensas: muitos brasileiros trabalham longas horas, muitas vezes sem pausas adequadas, o que pode levar a um esgotamento físico e mental. Cultura de “estar sempre disponível”: a era digital tornou comum a expectativa de que os trabalhadores estejam sempre acessíveis, mesmo fora do horário de trabalho, aumentando o estresse e reduzindo o tempo de descanso.

Insegurança no emprego: o Brasil enfrentou períodos de instabilidade econômica, o que pode gerar medo de demissões e, consequentemente, levar os trabalhadores a assumirem cargas de trabalho excessivas.

Ambientes de trabalho tóxicos: culturas corporativas que não promovem o respeito mútuo, a comunicação aberta ou a autonomia dos trabalhadores podem contribuir para o sentimento de burnout. Dificuldade em equilibrar vida pessoal e profissional: desafios como trânsito intenso, falta de flexibilidade no trabalho e responsabilidades domésticas podem tornar difícil para os trabalhadores brasileiros encontrarem um equilíbrio saudável.

Pressão social e cultural: existe uma pressão cultural no Brasil para que as pessoas sejam bem-sucedidas e produtivas, o que pode aumentar o estresse crônico no ambiente de trabalho. E foi exatamente isso que a pesquisa conduzida pela Way Minder comprovou. A Way Minder, startup na qual sou cofundador e CEO, conduziu um estudo envolvendo mais de 600 profissionais para entender a condição da saúde mental e o estado emocional no ambiente corporativo. Os dados revelaram preocupantes níveis de estresse e burnout devido à alta carga de trabalho, estresse crônico, falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e ambientes de trabalho tóxicos.

E&N – Como o senhor avalia a atuação dos empregadores gaúchos?

Pedroza – No cenário brasileiro, o Rio Grande do Sul destaca-se como um polo econômico robusto, marcado por um setor industrial diversificado e dinâmico. Comparando com outros estados, como São Paulo, que é visto como o coração econômico do Brasil, ou Minas Gerais, conhecido por sua forte base agrícola e mineradora, o RS tem sua força tanto na indústria quanto na agricultura.

Essa diversidade econômica permitiu que algumas empresas gaúchas tomassem a iniciativa de investir no bem-estar e na saúde mental dos colaboradores, talvez até mais cedo do que em outras regiões. No entanto, o Estado também enfrentou desafios econômicos nos últimos anos, o que pode ter pressionado as empresas a priorizar outras questões. Em termos de saúde pública, o Rio Grande do Sul tem taxas preocupantes relacionadas à saúde mental, incluindo altas taxas de suicídio que são superiores às de estados como Bahia ou Ceará, por exemplo.

Foto: Reprodução

Apenas para ilustrar, no último mês, a procura pela palavra “saúde mental” no Google Trends deixou o estado gaúcho na 18a posição dos estados brasileiros que mais tem interesse no assunto. Já quando se trata da palavra “suicídio”, Rio Grande do Sul ocupa a 24ª posição. Essa realidade sugere que existe uma pressão sobre as empresas gaúchas para que reconheçam e atuem ativamente na promoção da saúde mental de seus colaboradores, principalmente no que diz respeito à prevenção.

Concluindo, acredito que ainda há muito a ser feito no Brasil e no Rio Grande do Sul em relação à saúde mental no ambiente de trabalho. No entanto, a tendência é que a consciência sobre a importância deste tema cresça, impulsionando mais iniciativas positivas por todo o País.

E&N – Quais são as profissões mais atingidas pela síndrome do esgotamento profissional?

Pedroza – As profissões mais afetadas pelo burnout tendem a ser aquelas com alta demanda emocional e/ou física e/ou aquelas em que os trabalhadores têm pouco controle sobre suas tarefas. Vou citar alguns exemplos: profissionais da Saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais de saúde enfrentam longas horas de trabalho, tomada de decisões críticas, e frequentemente lidam com situações emocionalmente carregadas.

Professores e Educadores: eles lidam com a pressão de educar enquanto gerenciam questões administrativas, comportamentais e, muitas vezes, uma alta carga de trabalho com recursos limitados.

Profissionais de Tecnologia da Informação (TI): devido às demandas de um mundo cada vez mais digitalizado, os profissionais de TI frequentemente enfrentam longas horas de trabalho e prazos apertados. Policiais e Primeiros Socorristas: pela natureza estressante e imprevisível de seu trabalho, esses profissionais estão constantemente expostos a situações traumáticas.

Profissionais de Assistência Social: eles lidam regularmente com situações emocionalmente desafiadoras, muitas vezes sem os recursos adequados. Advogados: a competição acirrada, longas horas e a natureza do próprio trabalho podem contribuir para o esgotamento.

Atendentes de Call Center: as demandas de atender chamadas frequentes, lidar com clientes insatisfeitos e seguir rigorosos protocolos e métricas podem levar ao burnout. Jornalistas: pelos prazos rigorosos, a necessidade de constante atualização e, em alguns casos, a exposição a eventos traumáticos podem contribuir para o burnout nesse setor. Curiosamente, nossa pesquisa da Way Minder já citada aqui apontou que áreas de RH, vendas, educação, liderança, administrativo e TI têm as maiores taxas de burnout. Por exemplo, os profissionais de RH têm um índice de 43, enquanto que os de vendas têm 42,11. Vale lembrar que qualquer índice acima de 30 indica que o burnout está em estágio moderado, então é um sinal de alerta.

Foto: Reprodução

E&N – A plataforma online de saúde mental e bem-estar emocional desenvolvida pela Way Minder atua tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal e com soluções personalizadas. De que forma isso é possível?

Pedroza – Compreendemos que o bem-estar no ambiente profissional e pessoal está intimamente conectado, e é por isso que nossas ferramentas abordam ambas as esferas de maneira integrada, priorizando a prevenção para reforçar a saúde mental e emocional.

Hoje temos três produtos principais que compõem a plataforma Way Minder: Aplicativo Way: desenvolvido para empresas, este aplicativo prioriza o bem-estar individual. Ele traz recursos como conteúdo de ondas binaurais e uma exclusiva jornada de aprendizado, permitindo que colaboradores explorem seu crescimento pessoal continuamente.

A meta é cultivar ambientes de trabalho saudáveis e impulsionar o desenvolvimento integral dos profissionais. Ellis: direcionada para o público B2C, Ellis é a “companheira das emoções”. Jamais substituindo ajuda profissional e qualificada, ela na verdade é uma inteligência artificial generativa, à disposição 24h/7, treinada cuidadosamente pelos nossos especialistas. Com ela é possível ter diálogos construtivos para tratar emoções, abordando questões como ansiedade, depressão, burnout, estresse, baixa autoestima e insônia.

Os usuários podem se comunicar com Ellis via WhatsApp, Web ou App, buscando compreensão e conforto sempre que sentirem necessidade. Ellis Social: esta é uma IA voltada para as populações mais vulneráveis, que de outra forma não teria acesso aos cuidados de bem-estar e saúde mental. Ela foi pensada porque reconhecemos o potencial econômico das favelas e comunidades carentes, mas também seus desafios, onde estresse, ansiedade e depressão são recorrentes.

Visando democratizar o acesso aos cuidados de saúde mental, em que bem-estar mental não seja um luxo, mas um direito, criamos a Ellis Social. Ela é disponibilizada às pessoas das comunidades carentes por meio do apadrinhamento. Ou seja, empresas com forte compromisso de responsabilidade social tornam-se padrinhos dessas pessoas, possibilitando que elas tenham acesso gratuito a todas as funcionalidades da Ellis.

por que trabalhamos com IA? Porque acreditamos que, quando se investe em uma solução desse nível para saúde mental, além de adotar uma tecnologia avançada, também estamos democratizando o acesso a cuidados essenciais para aqueles que, de outra forma, poderiam ser deixados para trás. E assim podemos combater questões psicológicas que impactam a produtividade e a qualidade de vida das pessoas.

 

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