O índice de desemprego medido pelo IBGE (Pnad Contínua) em novembro de 2022 foi o mais baixo desde fevereiro de 2015: 8,1%. No setor de alimentação fora do lar, foram criados em 12 meses cerca de 100 mil empregos (o setor representa cerca de 90% do subitem Alojamento e Alimentação medido pelo instituto). Hoje, bares e restaurantes ocupam, segundo a estatística oficial, por volta de 5 milhões de pessoas. A renda média mensal no setor também cresceu, passando de R$ 1.687 para R$ 1.762, um aumento de 4,4% nos últimos 12 meses. A média do país é de R$ 2.787.
“O índice não reflete ainda as contratações de dezembro, mês que costuma ser aquecido em nosso setor. De todo modo, traz uma boa notícia. É preciso avançar em relação à renda do trabalhador de bares e restaurantes, que ainda é baixa em relação à média nacional, com mais de mil reais de defasagem” afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
O aumento da renda no setor, em termos percentuais, foi de 4,4% em 12 meses, abaixo do índice de inflação no mesmo período, que ficou em 5,9%. Reflexo dos tempos difíceis que pegaram em cheio o setor, com restrições e fechamentos em função da pandemia.
“No começo do ano passado tivemos o pico da variante ômicron, depois o movimento foi voltando aos poucos. Os bares e restaurantes sofreram também com a inflação, porque não conseguiam repassar os aumentos. E isso se refletiu nos salários do setor. Mesmo assim, houve aumento no ganho do trabalhador. A esperança é de que agora, com um cenário mais estável do ponto de vista econômico, esta diferença entre a remuneração no setor e a média do país vá diminuindo mais”, completa Solmucci.
No Ceará
No ano de 2022, o setor voltou a registrar dados que chegam a ficar próximos dos números de antes da pandemia. No último ano, o setor registrou cerca de 29 mil empregos formais, algo que não acontecia desde o início da crise sanitária. Mesmo com números positivos, para Taiene Righetto, presidente da Abrasel do Ceará, este é apenas o início da retomada do setor, que ainda tem um longo caminho a percorrer até que os números sejam de fato considerados crescimento.
“Ficamos muito felizes de ver que o setor vem tendo uma crescente nesse aspecto e assim seguimos a movimentar a economia, mas não podemos fechar os olhos para as consequências deixadas pela pandemia. Muitos bares e restaurantes ainda sentem os impactos e precisamos manter a atenção e cuidado para não regredirmos”, afirma.

