A popularização de medicamentos para o tratamento da obesidade, como a semaglutida e a tirzepatida, ampliou as discussões sobre os benefícios do emagrecimento para a saúde. Entre os efeitos positivos está a redução da sobrecarga mecânica sobre as articulações, especialmente joelhos e quadris. No entanto, o processo também exige atenção à preservação da massa muscular, um fator importante para a mobilidade, a estabilidade articular e a autonomia.
De acordo com o médico ortopedista Eduardo Vasconcelos, membro da Cooperativa dos Médicos Traumatologistas e Ortopedistas do Estado do Ceará (COOMTOCE) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE), a perda de peso precisa ser acompanhada de cuidados que vão além da redução dos números na balança. Durante o emagrecimento, parte do peso perdido pode corresponder à massa magra, incluindo a musculatura, especialmente quando há restrição alimentar excessiva e ausência de estratégias para preservar os músculos.
“Nesse processo, é preciso preservar a musculatura. Quando essa perda muscular é significativa, pode haver redução da força, piora da capacidade funcional e comprometimento da estabilidade dinâmica das articulações, aumentando o risco de quedas e limitações de mobilidade, especialmente nos idosos”, explica o médico.
O cuidado é particularmente importante para pessoas que já apresentam problemas articulares. Nos pacientes com artrose do joelho, por exemplo, a redução do peso corporal pode contribuir para diminuir a carga sobre a articulação e aliviar os sintomas. Entretanto, o fortalecimento muscular também tem papel fundamental no tratamento, sobretudo dos músculos do quadríceps, localizados na parte anterior da coxa, que contribuem para a função do joelho.
Segundo Eduardo Vasconcelos, a preservação da musculatura deve fazer parte do planejamento do emagrecimento. A prática de exercícios resistidos, a ingestão adequada de proteínas e o acompanhamento multidisciplinar são medidas importantes para ajudar a manter a força e a capacidade funcional durante o processo.
O ortopedista ressalta que os benefícios do emagrecimento para as articulações precisam ser considerados em conjunto com a manutenção da massa muscular. A atenção é ainda mais relevante para pessoas idosas, que podem apresentar maior vulnerabilidade à perda de força, às quedas e às limitações de movimento.
Em caso de tratamento da obesidade, a orientação é de que seja conduzido com acompanhamento profissional, considerando as necessidades individuais de cada paciente. O uso de medicamentos deve seguir indicação e supervisão médica, enquanto a alimentação e a prática de atividades físicas precisam ser ajustadas às condições de saúde e à capacidade funcional de cada pessoa.
“Emagrecer é importante, mas emagrecer preservando os músculos é essencial para manter a autonomia, a mobilidade e a saúde das articulações”, destaca Eduardo Vasconcelos.

