Home Educação Entre o foco e o afeto: especialista alerta para os riscos do desgaste emocional na maratona do ENEM e propõe equilíbrio para os jovens

Entre o foco e o afeto: especialista alerta para os riscos do desgaste emocional na maratona do ENEM e propõe equilíbrio para os jovens

4 min read
0
0
37

O cenário educacional cearense é amplamente reconhecido no país pela excelência pedagógica e pelos resultados históricos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A dedicação das escolas e a disciplina dos estudantes abrem portas anualmente para as universidades mais concorridas do Brasil.

No entanto, à medida que as provas se aproximam, a alta exigência cognitiva e o ritmo de simulados e aulas em tempo integral cobram seu preço: a exaustão emocional e a sensação de isolamento dos estudantes.

Diante desse contexto, o desafio contemporâneo não é diminuir o valor do mérito ou da ambição dos jovens, mas sim encontrar um equilíbrio sustentável. De acordo com a psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental Sarah Rebeca Barreto, é fundamental que a busca pelo alto rendimento não anule as vivências essenciais da adolescência.

“A adolescência é uma fase de expansão, descoberta e construção de laços sociais. Quando a rotina de estudos sufoca os momentos de respiro, é natural que surja a exaustão e a ideia perigosa do ‘tudo ou nada’. Mas essa maratona não precisa ser percorrida no sofrimento. É perfeitamente possível manter o foco nos estudos e preservar a sanidade mental e a leveza que essa etapa da vida exige”, destaca a especialista.

O papel da família

Nesse ecossistema de alta cobrança, a neuropsicóloga e educadora parental reforça que a família desempenha um papel determinante. Em vez de atuarem como cobradores de metas, pais e responsáveis devem posicionar o lar como um ambiente de acolhimento e descompressão, onde o estudante possa se despir da figura de “vestibulando” para ser apenas filho, irmão e jovem.

Para transformar essa jornada em um processo saudável de amadurecimento, a psicóloga defende que a família deve atuar como um porto seguro, adotando práticas cotidianas. Isso envolve incentivar pausas sem culpa, lembrando o jovem de que momentos de lazer e descanso são investimentos estratégicos para a saúde mental e o aprendizado, já que o cérebro precisa desopilar para fixar o conhecimento.

Paralelamente, é fundamental proteger os rituais de convivência, mantendo refeições livres de conversas sobre notas, simulados ou concorrência para priorizar diálogos leves e afetivos. Por fim, torna-se essencial desconstruir a cultura do ‘tudo ou nada’, reafirmando com clareza que o amor, o orgulho e o valor do estudante dentro de casa não dependem do resultado de um gabarito, mostrando que existem múltiplos caminhos e muita vida além do mês de novembro.

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais por Kátia Alves
Carregar mais Educação
Comentários estão fechados.

Verifique também

Inova Varejo 2026 será realizado em novembro com expectativa de reunir 1.500 pessoas

A CDL Jovem Fortaleza realiza, no dia 10 de novembro, o Inova Varejo 2026, evento gratuito…